Os 7 animais mais incríveis que vi cara a cara durante minhas viagens

Cara a cara com 7 bichos ao vivo e a cores na natureza. Uma experiência única trocar olhares com os bichos em seu próprio habitat.

Os olhos de qualquer viajante que chega numa baita cidade europeia pela primeira vez brilham. Afinal, tudo é lindo, limpo e histórico. Não há como não se encantar. É deslumbrante quando a retina descobre Paris, identifica o Coliseu no fundo da Via degli Annibaldi ou navega pelos canais de Bruges. Só que tem algo que a Europa fica devendo, e muito, para países do mundo inteiro: a possibilidade de ver vida selvagem cara a cara no ambiente mais natural.

Na infância eu gostava de ir ao zoológico ou ao circo ficar diante dos bichos. Com o tempo percebi que não sou nem um pouco entusiasta da ideia de bicho preso.  Mas quando comecei a pôr o pé na estrada, descobri que encontrar bichos em seu próprio habitat era uma experiência absolutamente deiferente. E marcante. De lá para cá esses encontros viraram mais do que um hobby, mas uma verdadeira paixão. Bem antes de embarcar para qualquer lugar, a primeira coisa que faço é descobrir o que há de ser vivo para ser visto.

Mais do que isso, quero sempre saber quais criaturas posso visitar em seus próprios lares. Mergulhar é sempre uma forma de chegar perto e com uma carteirinha de mergulho você faz o curso uma vez na vida (demora uns 3 dias) e pode mergulhar para sempre no mundo todo. Outra maneira são os safáris. Mas há muitos lugares onde é possível caminhar por trilhas ou pedalar em parques nacionais repletos de vida.

Tomei gosto por fotografar os olhares, como se cada um pudesse falar algo, penetrar a câmera, encantar você. Fiz aqui uma seleção de bichos inesquecíveis com os quais cruzei olhar pelo mundo. Infelizmente de alguns não consegui registrar o olho nas fotos, mas vou tentar traduzir a emoção. Muitas vezes não tem palavra nem imagem que faça jus à essa sensação.

1) Avistar leões no Quênia

Essa foi a primeira de muitas leoas que vi, de muitas, aliás. Foi no Nakuru National Park, o segundo mais famoso do Quênia e célebre pelo lago repleto de flamingos. Mas o que mais marcou foi por ela estar cochilando em cima de uma pedra, totalmente nem aí. Enquanto o jipe chegava perto, ela foi suavemente despertando e, com alguma curiosidade ergueu a cabeça para espiar. Eu estava a uns 4 metros e não havia ângulo para a foto e tinham esses galhos na frente.

Fiquei meio contente por ver meu primeiro felino em solo africano. Já tinha enchido a cara de ver zebras, antílopes e girafas, mas o primeiro felino a gente nunca esquece, né? Mas ela estava tímida. Foi só quando o jipe recuou que ela pareceu querer brincar. Ela se ergueu e o motorista teve certeza de que pularia dentro, ou no mínimo, sobre o capô. Me assustei, fui para trás. Como se alertasse, mas ao mesmo tempo tirasse uma onda, ela deitou novamente, mas no ponto até onde avançou. Daí sim deu para fazer a foto. Instantes depois um leão levantou sua juba lá de trás, mas estava preguiçoso demais para fazer seu showzinho.

2) Brincar com elefantes na Tailândia

Animal símbolo da Tailândia, os elefantes foram uma potente força de trabalho até os anos 1960. De lá para cá os tratores são mecânicos, mas muitos elefantes asiáticos – que vivem até 60 anos – acabaram ficando soltos em plantações e até mesmo invadindo cidades. De lá pra cá muitas reservas de proteção destes animais surgiram. E é assim que a maior parte dos turistas encontra esses paquidermes. Esse aqui foi no Elephant Jungle Sanctuary, pertinho de Chiang Mai, um dos lugares mais bacanas para ver elefantes. E onde, sabe-se, são bem tratados e alimentados. Ficar diante destes olhinhos tão desproporcionais, porém tão expressivos, é uma experiência absurda. Sempre é possível andar de elefante, mas é questionável se eles curtem ou não.

3) Nadar com baleia-Jubarte no Tahiti

Podia ser a número 1 da lista, mas coloquei aqui para você não desistir de ler. Um sonho. Me perdoe, mas não consigo pensar numa palavra mais clichê para descrever esse encontro. Entre junho e novembro, as águas quentes do Pacífico Sul recebem milhares de baleias-jubarte, que migram da Antártica. Há apenas dois lugares que permitem nadar com as gogantes, Tonga e a Polinésia Francesa e lá, nas duas principais ilhas é possível nadar com essas criaturas ao mesmo tempo monstruosas e doces.

Nas ilhas de Tahiti e Moorea é possível sair num tour de srnokel para avistar e, se elas não tiverem acasalando, nadar próximo aos maiores mamíferos do mundo. A imagem um pouco distante é porque a foto foi feita de Go-Pro, mas elas passavam pertinho. E essa na foto é a baleia bebê, que tinha cerca de 8 metros de comprimento. Acompanhar as subidas à superfície e as mamadas na imensa mãe foi uma das coisas mais lindas que já fiz.

4) Gorila, Austrália

Infelizmente não vi esse gorila na natureza, como sempre sonhei ver. Um dos meus maiores desejos é caminhar nas montanhas de Ruanda e Uganda atrás dos nossos ancestrais símeos. Acabei vendo no Taronga Zoo (taronga.org.au), em Sydney. Mas nunca tinha ficado tão próximo e apenas com um vidro na frente. Quando ele me olhou no fundo dos olhos, por maior que fosse sua tristeza em estar preso, muita coisa me veio ao espírito.

Parecia que ele podia me ler, era incrivelmente humano e semelhante. Tinha muito carisma e alguma melancolia. Como se ele ali dentro quisesse gritar algo. Foram breves instantes que pareceram uma eternidade. Essa é uma das minhas fotos favoritas da vida, tinha de dar um jeito de incluí-la aqui.

5) De frente com o casuar

Pensei em incluir os crocodilos australianos de mais de 5 metros que alimentei, mas eles já são um clichê australiano. Muito menos conhecido, igualmente agressivo, porém muito menos letal, o casuar ou cassowary, em inglês, é um mito nas florestas úmidas do nordeste da Austrália. Porém não pense que é só um primo da ema ou da avestruz. O casuar é a ave mais mortal do planeta, apenas isso. Territorialista, costuma atacar com bicadas violentas quem invade seu espaço – uma ave pode ser “dona” de até 7 quilômetros quadrados. O olhar é sinistro e dá muito medo!

6) Botos, Amazônia

Todo tipo de lenda corre sobre os botos na Amazônia e não tenho dúvidas de que são animais especiais. Golfinhos de rio de bicos imensos, tem olhos azuis paradoxalmente pequeninos, como dois botões de roupa de bebê. No entanto, os dentes afiados dão um certo medo. Em Novo Airão, a 180 km de Manaus, é possível alimentar os lindos bichos num lugar onde até pouco tempo atrás dava para nadar com eles. Ainda assim, uma experiência linda.

7) Macaco Aranha, Nicarágua

Num dos lugares mais lindos da Nicarágua, nas Isletas de Granada, no lago que leva o nome do país, vi esse curioso bicho. Muito diferente do nosso macaco-aranha, este tipo de coatá, do gênero ateles, tem uma característica comum com o nosso bicho: se locomove incrivelmente bem nas árvores. Parece que tem cola nos braços e pernas e percorre as arvores da ilhota onde vive com muuuuuuita agilidade e desenvoltura. Tanto que esse da foto me surpreendeu por dois motivos: 1) estava repousando deitado numa pedra e eu nunca vi macaco deitado em pedra e 2) jamais tinha visto macaco de olho azul. E você?

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