Descubra 5 expressões que ajudam a entender melhor o mundo

Quando viajamos e a dizemos a algum estrangeiro que somos do Brasil, não é raro o interlocutor responder com um “samba, football, caipirinha”. Talvez essas ideias estejam realmente enraizadas no inconsciente popular do planeta a respeito do nosso país. Até aí tudo bem. Mas nós temos plena consciência de que nossa identidade é bem mais complexa do que essas três palavras.

Da mesma maneira associamos valores e hábitos culturais a outros países, de maneira igualmente preconcebida. Só que em muitos lugares algumas expressões foram incorporadas na cultura popular e na maneira como o país (ou a região) se apresenta de tal forma que essas palavras acabam por traduzir o espírito e a energia do destino.

Descubra 5 destinos abraçados por clichês emblemáticos, porém profundos e simbólicos.

Sugestão de música para acompanhar a leitura

Hakuna Matata – África Oriental

Procurando o “Hakuna Matata” no Quênia

Desde 1994, quando a Disney lançou O Rei Leão o mundo todo praticamente sabe o significado desta expressão muito usada no leste da África. Enraizado na Tanzânia, Uganda, Ruanda, Somália, Etiópia, Moçambique e no Quênia, o suaíle ou swahili é a língua bantu com maior número de falantes. E tem por papel unificar a comunicação na região. Povoada por inúmeras tribos distintas, cada uma com seu idioma, recorre-se a ela em busca de um padrão idiomático.

Seria uma grande mentira dizer que todos os habitantes destes países são bilíngues, mas podemos afirmar que não apenas eles, como uma parte considerável do planeta sabe o sentido da expressão “hakuna matata”. Quase posso ouvir Simba, Timão e Pumba cantarolando a sonora frase.

O desenho animado resume bem o sentido, “sem problemas”, mas no uso corrente a expressão ganha outros usos. Quase como um “beleza” vira um “belê”, ouvi no Quênia o “hakuna” virar “haku” para seguir a saudação “djambô” (olá). E também “matata” ser usado automaticamente como abreviação de “hakuna matata”. De qualquer forma, a Disney não inventou nada e a saudação é, de fato, muito usada no dia a dia do continente. E convenhamos, soa bem mais leve do que o clássico “no problem”.

Ia orana – Tahiti

Me arrepio ao escrever essa. A tradução é complexa porque é muito profunda. É bem mais do que um “oi” ou “bom dia”, é uma saudação espiritual, quase uma troca de energia de almas. Você acorda de manhã e recebe o ia orana, pronunciado com ou sem oxítona, envolto num sorriso, de quem quer que seja. Um profundo desejar de bem estar ao próximo. Olha-se no fundo dos olhos, é algo que vem de dentro. Claro, o apelo turístico faz banalizar um pouco, mas a essência permanece.

Um jeito bonitinho de entender é com esse clipe do francês Janse Wesson, que não é de lá, mas que acho que soube traduzir esse significado de forma bem pop e palatável.

Namastê – Nepal

Namastê, diretamente do Nepal

Para além da yoga e muito além de um simples cumprimento,  namastê é uma saudação profunda. A começar pelo fato de vir sempre acompanhada do gesto das mãos juntas, à altura do peito, o que lhe traz um quê de sagrado. A profundidade do movimento por si só já revela sua nobreza e verdade.

Lá no Nepal, subindo e descendo as imensas montanhas no Himalaia, cruzando pequenos vilarejos, diante dos picos nevados, a coisa toda ganha uma grandeza ainda maior.

Há inúmeras interpretações para o gesto, mas talvez a que eu goste mais seja essa: “o Deus que habita no meu coração, saúda o Deus que habita no seu coração”. Trata-se, portanto, de uma troca divinal de energias, com o rosto emanando um olhar respeitoso, quando não sorridente.

Nunca vou esquecer de uma menina, pequenina, de uns 3 anos, me desejando “namatê” quando eu voltava da caminhada até o Acampamento Base do Monte Everest. ♥

Aloha – Havaí

Aloha, direto do Havaí

Basta pisar no aeroporto da capital de Honolulu para ser saudado por uma imensa placa com ALOHA escrito em cores vivas. É usada por todo mundo em todo o canto, seja para dar oi ou tchau, para desejar boa sorte e boas vibrações. Enfim, a saudação é unânime e quase um sinônimo do arquipélago do Havaí.

Mas se o o uso é um grande consenso regional, sua origem e principalmente seus significados mais profundos são muito controversos. Uns dizem que veio da palavra “amor” em dois idiomas polinésios, o samoano (“alofa”) e o maori (“aroha”). Contudo, há quem creia a palavra seja uma soma das ideias de presença (“alo”) e de essência da vida (hā) ou então de “face”+”respiro de vida”. Existe a corrente que acredita tratar-se de uma sigla:

A.L.O.H.A.

A, ala, alerta
L, lokahi, trabalhando em união
O, oia’i’o, honestidade e confiança
H, ha’aha’a, humildade
A, ahonui, paciência e perseverança

O debate vai longe. Mas o fato é que nas ilhas havaianas se sente o aloha de várias maneiras. Seja numa despedida, num pôr do sol com arco-íris duplo, numa onda perfeita quebrando sozinha. Mas uma coisa é padrão: o gesto. Punho cerrado e apenas o polegar e o mindinho esticados, fazendo o sinal do “Hang Loose”, como a marca registrada de Ronaldinho Gaúcho. Quando você chega lá, dá para entender rapidinho o sentido da coisa. Que não é só gíria de surfista.

Same same, but different – Tailândia

Same same, but different

Embora a frase seja usada em boa parte do sudeste asiático, ficou famosa na Tailândia. Quase uma piada interna elevada à categoria de patrimônio nacional, a ideia é brincar com a frase clássica de uma transação comercial entre nativos que falam pouco inglês e turistas tentando se comunicar.

Basicamente a expressão emerge quando um visitante está tentando comprar algo, como um relógio, uma bateria para sua câmera ou até mesmo comida. Ao mostrar ou explicar o que ele quer ”será que você teria outro deste ou igual à este?”, recebe uma coisa totalmente outra junto com a resposta: “same same, but different” (“igualzinho, só que diferente”, em tradução livre).

Entre gargalhar e recusar o produto, fique com os dois. Ou não. Se o episódio for marcante para o viajante, ele terá dezenas de opções de camisetas e canecas com a frase impressa para levar para casa.

Geralmente quem não foi para lá não entende a piada.

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