Viver de férias: é possível?


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Um dia de férias é sempre melhor do que um dia de rotina. Alguém discorda? Nas férias vigora a sensação de liberdade e o único dever de descobrir um lugar novo.  Mas é possível incorporar o espírito de descanso até mesmo na sua própria cidade. Apenas estar livre já faz o dia render de outro jeito. Viver um dia ou vários dias de folga dentro da própria cidade é possível? Claro que sim.

A começar pela hora de acordar e a pressa com que se faz o passo a passo matinal. Sem pressão você começa mais manso. Tomar café da manhã com calma, ler jornal, ouvir rádio. Musicado o dia parece ir mais leve. Deixe o carro na garagem, pegue um metrô ou um ônibus. Ou o carro mesmo, pra sair da cidade, afinal, o dia ou a semana são seus e estradas foram feitas pra isso. Veja só quantas possibilidades.

O que se transforma é o olhar. A falta de obrigação e pressão traz leveza. O bom de viajar é deixar-se ir. E com a liberdade vai-se no próprio ritmo, assim como descobrisse uma nova cidade, um novo lar. Tempo de entrar naquela loja que sempre olhou de soslaio, a tal galeria de arte que nunca deu para espiar, numa tarde de dia de semana no parque a contemplar quaresmeiras ou ipês em flor. Tudo isso com calma, esse produto escasso na rotina.

Despido de obrigação, você pode ser turista até mesmo no trajeto para o trabalho. Deixe seus pés no chinelo sentirem a diferença, as canelas receberem o ar fresco, os antebraços e o pescoço respirarem. A cidade é esse monte de sentidos também. Ou você acha que seu corpo não sabe quando está de férias?

Uma grande besteira dos anos 90 era o slogan de uma marca de chinelos que sugeria dar férias para os pés. Faça me o favor, nas férias é quando você mais precisa deles. Claro que também pode deixá-los erguidos e a apontar às estrelas. Só que são tão eficazes em sua tarefa de levá-lo a desfrutar do mundo. E o mundo, mesmo de férias em casa, é o onde você estiver.

“Ah, mas eu só tenho 30 dias de férias por ano e quero mais é viajar e ficar longe disso tudo”. Tudo bem, quando dá para viajar, ótimo, mas ficar não é o fim. Seja porque faltou grana, tempo para planejar ou por vontade, mesmo. E digo mais, esse espírito confortável das férias pode ser trazido para a vida de todo dia. Sim, aquela mesma que nos enfia no trânsito, nos ônibus e vagões em horários de pico, na luta por uma vaga de estacionamento.

“Péra lá, você tá me dizendo que é possível desfrutar do astral de férias quando não estou de folga?” Exatamente. Vamos chamar esse processo de alienação temporária voluntária. Ninguém tá mandando você dar uma banana pro chefe, pegar a Imigrantes e ir pegar onda eternamente. Mas de mudar um pouco a forma de olhar pra rotina, procurando resgatar aquela leveza que as férias trazem. Ah, que fácil de falar. Aham, é beeeem mais tranquilo escrever aqui e te dizer: tente.

Mas vamos lá. Uma coisa pode ser preciosa na rotina de caos – a relação espaço e o tempo. A maior parte das pessoas, infelizmente, não trabalha perto de casa. Os intervalos de deslocamento podem ser períodos não apenas de introspecção, mas de desligamento do trabalho e de casa. No caminho da sua mesa você vai deixando os problemas de casa em casa e na volta, faz o mesmo com as mazelas do trabalho.

Seja com um livro, uma revista, um papo com um amigo ou parente, uma contemplação da diversidade de rostos, realidades e destinos – as divagações são infinitas, como se você caminhasse pelos bulevares de uma cidade estrangeira qualquer. De novo, eu sei que é fácil falar.

Caso more muito perto do trabalho, pare num café, num bar, numa sorveteria, numa loja de pratos. Contemplar, espairecer, encher a cabeça com o que não é da rotina: isso nos aproxima daquele estado de espírito das férias.

Na hora do almoço também vale deixar o trabalho e seus assuntos sobre a mesa do escritório. Eles vão estar lá te esperando, na certa. A boa notícia é que estando presente no almoço você desfruta mais da comida, da companhia de quem estiver ao lado e do intervalo.

Afinal, é de pausa que estamos falando. Na essência, férias são interrupção da rotina. Viajar é sair do espaço-tempo diário. E o estado de espírito que emana disso é algo que aprendemos a apreciar ao longo da vida. Transportar um pouco desse sentimento para o cotidiano, nem que seja a partir das memórias de bem-estar de férias passadas, ajuda a criar um ambiente mais leve. Para que possamos nos sentir de férias nem que seja em pequenos momentos do dia-a-dia.

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