Dicas de Petra: o lugar mais bonito do mundo


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Veja nesse post minhas melhores dicas de Petra para quem está planejando uma viagem para a atração mais famosa da Jordânia, e uma das 7 Maravilhas do Mundo Moderno. Conheça mais sobre a história do lugar, descubra quando ir a Petra, como chegar e comprar ingressos, o que ver e, também, onde ficar em Petra. 


O título aí em cima pode até parecer exagerado. E pode até ser. Mas para mim, pelo menos ao longo dos dois dias em que passei percorrendo esse Patrimônio da Humanidade pela Unesco, não havia nenhuma outra definição mais plausível. O complexo arqueológico é a grande atração da Jordânia – e do mundo!? (falei que fiquei encantado) – e atrai 99% dos visitantes que chegam ao país. Isso porque não está do ladinho do aeroporto nem das fronteiras. Quem veio para esse reino do Oriente Médio veio ver Petra – ao menos como parada principal.

Petra é sobre sentir-se pequeno na grandiosidade da história – Foto Felipe Mortara

Quando ir, como chegar e onde ficar em Petra?

Eu havia chegado à Jordânia lá pelo meio-dia, após atravessar a fronteira com Israel no ponto mais turístico: entre Eilat e Aqaba. Negociei um taxi de lá até a pequena Wadi Musa, a 124km. Se vier pela capital Amã, 236 quilômetros ao norte, há ônibus o dia todo.

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Era maio, época de temperaturas ainda suportáveis – não vá em hipótese alguma entre junho e setembro porque o calor é infernal. O resto do ano todo, de outubro a maio, é adequado. Acredite, é um calor asfixiante e que te impede de se locomover. Em pouco mais de duas horas a partir de Aqaba cheguei na pequena cidade de Wadi Musa, onde arrumei um hotelzinho bem barato por cerca de US$ 50 (existem várias opções para todos os gostos, veja aqui). E rumei para o Parque Nacional.

A Chegada em Petra pelo labirinto do Siq é emocionante

Quantos dias ficar em Petra? 

Essa parte é muito importante, preste bem atenção. Petra está espalhada por cerca de 10 quilômetros (cada trecho!). Ou seja, tenha em mente que percorrer todos os pontos históricos e mirantes com a atenção que o lugar merece é tarefa para pelo menos dois dias.

Como se preparar para visitar Petra?

Além de boné, protetor solar e roupas leves, os pés são os maiores companheiros numa visita a Petra. Use botas ou tênis laceados, prepare-se para andar longamente e prefira sempre as primeiras horas da manhã (o parque abre às 6h), já que é sempre muito quente e abafado. Após comprar ingresso no centro de visitantes, garanta seu estoque de água e algum lanche para o dia – as opções ao longo do caminho são poucas e caras.

Alguns trechos são muito longos e é possível alugar burros – Foto: Felipe Mortara

Ingressos para Petra

Embora não seja necessário comprar ingressos com antecedência, no site do órgão de turismo Visit Petra há uma série de informações úteis para programar sua visita. Acessibilidade não é o forte e a visita de cadeirantes pode ser bem complexa.

-Válido para dois dias, custa 50 dinares ou R$ 260.

Petra by Night

Todas as segundas, quartas e quintas-feiras o tour fica ainda mais especial. Não perca a chance de ver o Tesouro, o grande monumento de Petra, à noite durante o Petra by Night Iluminado por 1.500 lamparinas que complementam um show de luzes coloridas, é um espetáculo visual surreal. Um grupo de beduínos se encarrega de uma rápida apresentação musical.

Petra By Night foi uma ótima surpresa e valeu cada centavo extra – Foto Felipe Mortara

Dica SV: Com um tripé você garantirá a melhor foto.

Dica SV 2: não é preciso retornar até o centro de visitantes, mas na entrada é necessário pagar um adicional de 17 dinares (R$ 88) ao valor normal do ingresso.

Uma breve história de Petra

Mas afinal, o que é tão impressionante nesse lugar? Fundada em 312 a.C. pelos nabateus, povo árabe nômade, a Cidade Antiga virou um eixo importante para as rotas da seda, do incenso e das especiarias entre China e a Europa. A partir de 106 d.C. os romanos passaram alguns séculos ocupando a cidade talhada na pedra.

O Teatro é um dos ícones de Petra e raramente mostrado – Foto Felipe Mortara

Pois diferentemente de outros monumentos alçados à lista das 7 Maravilhas do Mundo Moderno, Petra tem um ingrediente extra: a vastidão e a complexidade de sua construção. Era uma cidade mesmo! Por mais célebre que seja o templo conhecido como Tesouro, ele é apenas um dos atrativos descomunais do parque nacional tombado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco, em 1985.

Rua das Fachadas, que concentra cerca de 40 túmulos e casas que sobem pela montanha – Foto Felipe Mortara

Atrações em Petra: tudo o que você pode (e deveria) ver e sugestão de roteiro

O Tesouro é a principal construção da grande atração turística da Jordânia. Mas é só o começo da jornada. Porque junto com o grande monumento o visitante descobre que ele é apenas uma parte de uma longa experiência que envolve templos, túmulos e até um enorme teatro.

Você entra pelo centro de visitantes e depois de andar por 500 metros, o Túmulo do Obelisco surge à esquerda, com quatro torres esculpidas que afloram das pedras. Um gentil cartão de visitas. A caminhada inicial a partir da portaria até o ponto mais famoso leva cerca de 40 minutos – cada perna.

Dicas de Petra na Jordânia

O Siq é um labirinto intrigante que ruma até o Tesouro – Foto Felipe Mortara

Com 1,2 quilômetro de extensão e repleto de sombra, o Siq é um cânion de arenito com até 80 metros de altura. Já valeria a visita por si só. Ao entrar ali a jornada fica bem mais agradável, embora um majestoso arco que dava as boas-vindas ao corredor natural tenha desabado em 1895.

Quero nunca mais esquecer o instante em que vi o Tesouro pela primeira vez. É muito mais impressionante do que em qualquer foto. Também chamado de Al-Khazneh e envolta num imenso salão de arenito com quase 70 metros de altura, esta obra prima da lapidação era a antiga tumba do Rei Aretas IV (9 a.C. – 40 d.C.).

Tesouro de Petra, uma maravilha mesmo

Detalhes do alto do Tesouro, com marcas de bala na fachada – Foto Felipe Mortara

Acreditava-se que em seu topo havia um tesouro escondido por um antigo faraó egípcio. Balela. Até hoje é possível ver no alto dos 39,5 metros de altura marcas de bala na tentativa de alvejar supostas relíquias. Os saudosos de Indiana Jones, o famoso arqueólogo de Hollywood interpretado por Harrison Ford, imediatamente reconhecerão a locação de Os Caçadores da Arca Perdida (1981).

Alguns guias ficam ali tentando achar sentido e lógica em cada elemento na fachada…

  • 365 riscos em alto relevo, que representariam os 365 dias do ano
  • 30 flores em alusão aos dias do mês
  • 7 cálices em referência à semana completa
  • 12 colunas gregas para 12 meses do ano
  • 4 águas que simbolizariam as 4 estações.

Depois o compacto salão do Tesouro se abre até a área conhecida como Rua das Fachadas, que concentra cerca de 40 túmulos e casas que sobem pelo lado direito. Dali, você já vai dar de cara com o Teatro, outro ícone de Petra. Pensado originalmente pelos nabateus para 3 mil espectadores, chegou a ter a capacidade ampliada para mais de 8.5 mil pessoas, quase 30% da população de Petra no período romano.

O Grande Templo é de uma delicadeza imensa e é triste vê-lo tombado – Foto Felipe Mortara

Vá rumo ao oeste pela rua margeada por colunas e outrora repleta de comércios para alcançar o Templo dos Leões Alados e o Grande Templo. Este último, erguido no século 1 a.C., ostentava pé direito de 18 metros de altura, por 40 metros de comprimento e 28 metros de largura, mas foi abalado por um poderoso terremoto, que empilhou várias das rodas de pedra que estruturam as colunas.

À direita, não deixe passar batido o pequeno prédio com teto de metal, feito recentemente para preservar os sensacionais mosaicos da Igreja Bizantina. Adiante, o Museu Arqueológico e o Al-Habees exibem uma série de itens encontrados nas escavações, que começaram em 1812 com a “descoberta moderna” de Petra pelo explorador suíço Johann Ludwig Burckhardt (1784–1817).

Dali começa a subida para a segunda edificação mais impressionante do complexo de Petra depois do Tesouro. Uma escadaria de 800 degraus pode tomar uma hora a partir do Bassin Restaurant, próximo aos museus.

Para alguns o Monastério chega a ser ainda mais impressionante do que o Tesouro – Foto Felipe Mortara

O desenho da fachada é bem parecido com o do Tesouro, mas o Monastério chega a ser mais impressionante. Com 50 metros de largura e 45 de altura, parece brotar de dentro de uma gigantesca parede. Foi erguido três séculos antes de Cristo e faz parte das primeiras construções dos nabateus na região. O nome veio das cruzes talhadas nas paredes internas, que indica que deve ter sido usado como igreja durante o período bizantino. Algo vibrante e surreal, que fica ainda mais lindo com a luz do entardecer.

ALERTA SV: programe-se com seu guia para poder voltar ainda com luz, porque uma caminhada de 10 quilômetros o espera até o centro de visitantes. E quem sabe você ainda não pega o Petra by Night?

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  • Olá. Estava pesquisando se valia a pena ou não ir em Petra e vejo essa chamada chamativa, haha. Pois bem. Queria saber se a sensação que fica é tipo “rodei meio mundo, gastei tubos de dinheiro e essa obra na pedra nem é isso tudo”.

    E outra dúvida. Foram a partir de Tel Aviv? Vi muita gente dizer que é caro em Petra, além de trabalhoso, mas não vi um orçamento total. Calcula mais ou menos quanto custa uma ida até lá a partir de Tel Aviv?

    Obrigado!

    • Felipe Mortara

      Oi Nivaldo, tudo bem? Petra é mais bonita do que o Rio de Janeiro inteirinho, com Cristo, Pão de Açúcar e Ipanema. Na minha opinião. Será que valeria a viagem? A conclusão só pode ser sua.

      Uma ida até lá a partir de Tel Aviv, dormindo 3 noites na Jordânia (se for até lá, passe uma noite no Deserto de Wadi Rum) sai por cerca de US$ 500. Pegando ônibus até Eilat, na fronteira com Aqaba, na Jordânia. Atravessa a fronteira terrestre, contrata um taxi e vai até a cidadezinha de Petra, na porta do Patrimonio Histórico. É necessário tempo lá dentro pq as distâncias são gigantescas. Era uma grande cidade. E o calor é absurdo. Mas vale cada centavo e gota de suor. Não à toa foi eleita uma das 7 Maravilhas 🙂 Boa jornada!

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