Descubra comigo o Deserto de Wadi Rum, na Jordânia


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Viaje comigo para o deserto de Wadi Rum, em um relato sobre minha experiência tocante na Jordânia. 

Eu sabia que era bonito, mas não fazia ideia do quão bonito seria. Mais do que isso, do quão poderoso é esse lugar. Wadi Rum tem uma aura poderosa e diferente de tudo o que já senti nos outros desertos que visitei. Nem o Atacama, o Uyuni e nem mesmo o Saara têm a brutalidade e a delicadeza desse lugar. É tudo bem diferente.

Areia alaranjada do deserto se estende até o fundo, onde há uma formação rochosa retangular com as pontas arredondadas. Em cima, um céu azul com poucas nuvens brancas e ralas.

A imensidão de Wadi Rum chega a confundir os olhos – Foto: Felipe Mortara

A ideia de deserto normalmente passa longe do conceito de aconchego. No entanto, ao falar de Wadi Rum algo soa diferente. A 320 quilômetros a sudeste de Amã, essa vasta faixa seca não se parece com nenhuma das outras áreas vazias da região.

Até porque some-se às dunas de areia, um sem-fim de formações rochosas espetaculares, montanhas de contornos inusitados, cânions estreitos e vastidões imensuráveis. Sem contar a hospitalidade do povo beduíno. E um céu tão estrelado a ponto de fazer faltar palavras. O ideal é passar dois dias inteiros explorando o lugar, com um pernoite em tendas beduínas.

O ideal é passar dois dias inteiros explorando o lugar, com um pernoite em tendas beduínas. Inesquecível

Pessoas em cima de pedra para admirar o cenário do deserto.

O horizonte é sempre um mistério a cada mirante

Os olhos enxergam longe, mas não se perdem em momento algum. E isso é diferente dos outros desertos. Solitário, o árido horizonte acaba sempre guardando algo para dar uma referência de sua majestade, seja uma rocha notável, um jipe 4×4 ou uma caravana de beduínos e turistas com camelos ao longe.

Em cima da Burdah Rock Bridge, o visual é absurdamente deslumbrante

Tanto faz se a bordo de camelos em longas travessias sob o sol ou em rápidos 4×4 cruzando por rotas invisíveis em meio ao areial, o visitante sente um sabor único. E não é o da poeira que sobe. Uma mistura de solidão e plenitude em uma época com tanta conexão. Como são bons esses respiros e o quanto um lugar pode proporcionar isso. As formações rochosas são delirantes, como a Burdah Rock Bridge, que parece ter sido enfiada ali por algum engenhoso arquiteto.

Foto da areia do deserto, em que há marcas de pneus demarcando o caminho que o jipe deve seguir.

Longos períodos a bordo do jipe para chegar nos pontos mais lindos do deserto de Wadi Rum

Um cenário que leva a imaginação além. E que Hollywood descobriu há muito tempo. Desde Lawrence da Arábia (1962), que eternizou as aventuras do arqueólogo britânico Thomas Edward Lawrence (1888-1935) sobre cavalos ali mesmo naquele plano de fundo. O lugar que imortalizou isso, Lawrence Spring, é o primeiro ponto de parada.

Mais tarde, outro arqueólogo popular interpretado por Harrison Ford protagonizou perseguições e confusões em Indiana Jones e a Última Cruzada (1989). Nos últimos anos, Wadi Rum continuou como um favorito dos produtores de locação e foi parar no Oscar em A Hora Mais Escura (2012) e Perdido em Marte (2015), em que Matt Damon interpreta um astronauta abandonado no planeta vermelho.

Em Wadi Rum foram gravados clássicos do cinema como Lawrence da Arábia, Indiana Jones e Perdido em Marte

É difícil acreditar que acharam um lugar tão impressionante para filmar. Sinceramente eu não reconheci imediatamente nenhuma das montanhas dos filmes, só a paisagem como um todo. Você certamente vai passar por pontos como Khazalai Canyon, Burrah Canyon e Seven Pillars of Wisdom.

Camelos fazem parte daqueles clássicos programas em Wadi Rum

O povo do deserto habita há séculos a região e é quase um símbolo da cultura jordaniana. A experiência em Wadi Rum passa, obrigatoriamente, pelo contato com os beduínos e esse talvez seja o grande diferencial. Os anos perseguindo os cantos onde os rebanhos de cabra possam pastar, ainda que minimamente, criaram uma sapiência e grau de adaptação admiráveis.

Observar e entrar em contato com os beduínos de Wadi Rum é uma das grandes experiências da viagem

A grandiosidade do lugar às vezes só fica nítida quando há algo para comparar – sim, os pontinhos brancos são carros.

A grandiosidade do lugar às vezes só fica nítida quando há algo para comparar – sim, os pontinhos brancos são carros.

Afinal, estamos falando de um lugar absurdamente quente durante o dia, com temperaturas que podem alcançar os 50oC no verão, e mínimas noturnas que baixam de zero grau. Embora o frio seja forte à noite mesmo no verão, não deixe de pernoitar ao menos uma noite no deserto. Minha noite lá foi apenas maravilhosa. Na tenda onde fui parar só tinha eu de turista e ninguém ali falava inglês, só árabe. Mímica foi muito necessária para as comunicações básicas, mas a linguagem universal do sorriso funcionou bem.

As variações de temperatura são intensas, com dias bem quentes (50oC) e noites bem frias (abaixo de 0oC)

Guia Ahmed vestido com túnica cinza e turbante bege na cabeça, abraça homem com bermuda e camiseta e chapéu. O cenário de fundo é o deserto e as areias marrons.

Eu e meu guia por lá, o Ahmed Pé de Chumbo.

Viver a experiência de dormir numa autêntica tenda beduína, em colchões sobre tapetes no chão, coberto por mantas de pele de ovelha, é mágica. Até porque, após o entardecer que tinge tudo de um laranja inimaginável vem uma refeição farta, preparada com carinho pela matriarca do acampamento. E antes de dormir, um chá sob as estrelas. Sério, eu voltaria pra lá com mais tempo para andar de camelo ou talvez até encarar algumas caminhadas.

Cai a noite no deserto de Wadi Rum.

Como eu fui pra Wadi Rum?

Você pode contratar tours em agências de Amã ou de Aqaba, com direito a ir pra Petra e Wadi. Por estar sozinho e ter pouco tempo eu fui na raça, negociando com taxistas e motoristas perto de pontos de taxi e ônibus.

Quem me levou para Wadi Rum foi o Zaid Mawajdeh (zaid1989m@hotmail.com ou 00962 797 153 697) que me colocou nas mão do Ahmed, meu guia/motorista da 4×4, e que batizei de Pé de Chumbo. Outros dois motoristas me ajudaram muito, me levando de Aqaba a Wadi Musa e Wadi Rum, o Yahya Hasanat (y_hasanat@yahoo.com ou 00962 776 373396) e o Atef Al-Nawafleh (atefnawafleh@hotmail.com ou 00962 776138598).

“Vamos pra Wadi Rum amigos?”

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