Cânion Fortaleza e Itaimbezinho: Tudo Para o Seu Passeio


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Veja nesse relato como melhor explorar o Cânion do Itaimbezinho e Cânion Fortaleza, e descubra como foi minha experiência por lá explorando a região de bike e montando base em Cambará do Sul. Você vai se surpreender com esse outro lado do Rio Grande do Sul. 

Cachoeira Véu de Noiva, estrela do Cânion do Itaimbezinho – Foto Felipe Mortara

Quando se escuta falar de turismo no Rio Grande do Sul frequentemente o assunto é Gramado, Canela ou Bento Gonçalves. As cidades interioranas construíram um legado invernal com forte estrutura e investimentos, assim acabaram se tornando destinos para o ano todo. Definitivamente são elas que mais atraem visitantes para o Estado.

Nunca fui para Gramado nem Canela, mas Bento Gonçalves e o Vale dos Vinhedos são dois baita destinos e a qualidade dos vinhos brasileiros me surpreendeu. Mas definitivamente descobri dois novos e incríveis lugares nos últimos meses no Rio Grande do Sul. Além de Porto Alegre, que merece ser explorada com calma, conto mais agora sobre os Cânions de Cambará do Sul, um destino natural impressionante e ainda super pouco divulgado e visitado.

Placa bege, ligeiramente velha, onde se lê "Parque Nacional de Aparados da Serra" em Azul. A placa está sobre um muro de pedras e ao fundo há árvores bem verdes e um céu azul.

Embora com problemas de manutenção o parque é lindíssimo – Foto Felipe Mortara

O que são os cânions e onde ficam?

Com cerca de 130 milhões de anos, os cânions se formaram após uma forte explosão subterrânea. As bordas afiadas davam a sensação de terem sido aparadas à faca, o que deu ao lugar o nome de Aparados da Serra. Bem depois disso surgiu a cobertura de mata atlântica e araucárias que dá o charme singular desses cânions nada desérticos. É possível percorrer tudo a pé ou de bike.

Os cânios ficam na divisa entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. No primeiro mapa abaixo, os cânions estão perto de Cambará do Sul (no centro da foto, com indicação em roxo). O segundo mapa está com zoom na região dos cânions. De novo, a cidade de Cambará do Sul é um ponto de referência. No próximo parágrafo, explicamos um pouco mais sobre a região e como ir até lá.

Mapa cartográfico da região sul do Brasil, com círculo indicando os cânions

Mapa cartográfico da região dos cânions do sul, perto da cidade de Cambará do Sul

Como chegar nos Cânions do Sul?

Fazia anos que eu andava louco pra conhecer esse lugar. O Parque Nacional de Aparados da Serra e o vizinho Parque Nacional da Serra Geral concentram os dois cânions mais profundos do Brasil. Itaimbezinho e Fortaleza são os mais famosos, mas o Malcara e, o Leão, Churriado e Corujão também são penhascos surreais. A  204 km de Porto Alegre, a pequenina Cambará do Sul é cidade-base para explorar a região.

Foto aérea do cânion coberta com vegetação bem verde. Na fenda do cânion, um riozinho passa bem abaixo.

Essa imagem só consegui com o drone, mas ela traduz bem o lugar – Foto Felipe Mortara

Como explorar o Cânion do Itaimbezinho e o Cânion Fortaleza?

A bike é o melhor jeito de cobrir as distâncias dentro dos parques nacionais, mas pouca gente lança mão desse meio. A maior parte do público são famílias de férias que seguem os principais pontos por meio de curtas caminhadas.

A maior parte dos tours é a partir de Cambará do Sul, geralmente em jipe, como na Eco Tours. Agências como a Caminhos do Sertão se dedicam mais ao cicloturismo em áreas ao redor dos parques. Já a Cambike foca em roteiros mais puxados para quem mais busca aventura e perrengues.

Se preferir reservar o traslado de Gramado até o Cânion do Itaimbezinho, recomendo esta excursão. Nela você vai fazer as trilhas a pé com um guia turístico profissional que vai te contar sobre a região. No passeio você também passar pelo Parque Nacional dos Aparados da Serra, que é o tópico que eu abordo logo abaixo!

Cânion do Itaimbezinho, no Parque Nacional dos Aparados da Serra

Na beira do precipício você se sente um nada, mas ao mesmo tempo os olhos sorriem. O lugar é deslumbrante! As gargantas com centenas de metros de profundidade são um patrimônio natural super pouco divulgado e explorado. Nós não sabemos cuidar muito bem das nossas belezas naturais.

 

Um caminho de terra corta a foto na diagonal. Nele, três ciclistas andam de bicileta, equipados com equipamentos de segurança. Na metade debaixo, a esquerda, há grama, enquanto que na metade de cima e a direita, há um grande buraco que é o cânion. O céu está azul.

A bicicleta é um jeito ótimo de aproveitar o Cânion do Itaimbezinho – Foto Fernando Torrezan

O acesso é super fácil de carro a partir de Cambará, mas há tours à venda por todo o centrinho.  Há duas trilhas a partir do centro de visitantes. Comece pela mais simples seguindo as placas para a Trilha do Vértice, com apenas 1,5km. Fique cara a cara com a Cachoeira Véu de Noiva, que nos meses de chuva (novembro a março) impulsiona ainda mais os 300 metros de queda.

Guarde tempo para a vista absurda do Mirante do Cotovelo. Para chegar até lá, 6km caminhando ou num pedal tranquilo e plano em meio à mata atlântica e trechos de campos de altitudes. A sensação de margear o penhasco (tem uma cerquinha, tá?! rs) e pedalar bem pertinho do abismo é muito especial. Deixe a bike de lado por alguns instantes e siga a pé para achar até o melhor ângulo para AQUELA foto.

Cânion Fortaleza, no Parque Nacional da Serra Geral

Um pouco menos visitado do que o Itaimbezinho, o Cânion Fortaleza é igualmente impressionante. Um baita de um lugar bonito que eu não tive a sorte de ver aberto. No dia em que fomos uma baita neblina cobria não só ele mas também a estrada e nos poucos momentos em que cessou deu pra ver (male male) a Cachoeira do Tigre Preto. Mas se não deu pra ver dessa vez, a gente imagina e planeja a próxima viagem.

Cânion Fortaleza num dia aberto, bem diferente do que eu vi – Foto Jorge Bortolaci

O Cânion Fortaleza ainda não ganhou o respeito e visibilidade que merece. Apesar do potencial imenso, o cânion pertence ao Parque Nacional da Serra Geral, mas o Brasil parece não dar bola. Uma pena, já que os gigantescos paredões rochosos de até 700 metros de profundidade e repletos de Mata Atlântica são um primor.

22 quilômetros separam Cambará do Sul e a portaria do Parque Nacional da Serra Geral. Depois mais uma estrada de terra de cerca de 8km até a Trilha do Mirante. O acesso pode ser feito também de carro. Com boas condições de tempo é possível margear o cânion pedalando por um bom trecho. Não foi o nosso caso e por segurança – sim, é possível cair em meio à neblina densa – o guia resolveu criar um roteiro alternativo.

Quem já viu aberto garante: é ainda mais deslumbrante do que o Cânion do Itaimbezinho. Embora as bikes consigam cobrir bem a parte superior do parque, há trechos em que só se chega caminhando, como a Pedra do Segredo (3km ida e volta). Tenha cuidado com fotos na beirada, especialmente selfies – há casos de acidente registrados.

Clima ligeiramente neblinoso. A esquerda, uma cachoeira alta, e a direita, um grupo de pessoas sorri para a foto, sentados na mapa na borda da cachoeira ou em pé.

Grupo reunido diante da Cachoeira do Tigre Preto

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