Roteiro pela África do Sul: 10 dias pra conhecer o melhor do país


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Um bom roteiro pela África do Sul tem que ter de tudo um pouco: vida selvagem, paisagens incríveis, história, arte, cultura e enogastronomia. Aqui vocês conferem a “viagem ideal” que eu montei pra fazer com a minha família depois de já ter ido sete vezes ao país. Queria apresentar pra eles um dos meus lugares preferidos no mundo, então reuni em 10 dias de viagem as experiências de que mais gosto.

Se está começando a planejar sua ida agora, leia também o texto com as melhores dicas para quem quer fazer turismo pela África do Sul, com todas as informações básicas de que precisa pra viajar.

Oito vezes na África do Sul, e contando

Na minha oitava viagem à África do Sul, em um mirante admirando a paisagem de Cape Town.

Fui pra África do Sul pela primeira vez em 2015, quando decidi passar dois meses estudando inglês fora. Vi opções tradicionais como Nova York e Londres, mas Cape Town (Cidade do Cabo, em português) foi a cidade apresentada pela agência de intercâmbio que mais me chamou atenção.

Primeiro, porque eu viajaria entre dezembro e janeiro e um lugar onde fosse verão me atraia mais. Segundo, porque só de pesquisar um pouquinho fiquei encantada pelas paisagens e por todas as possibilidades de passeio. O país parecia ter de tudo um pouco.

Depois dos dois meses de intercâmbio, comecei a trabalhar pra uma empresa sul-africana. Desde então foram oito idas ao país e um amor que só cresce. A última delas foi em 2019, antes da pandemia, de férias com minha mãe e meu padrasto. Pra essa viagem com eles, eu montei o que considero ser o mais perfeito e redondo roteiro pela África do Sul.

É esse roteiro que vocês conferem aqui, e que foi pensado para contemplar o melhor do país em 10 dias. Vamos?

Roteiro pela África do Sul – dia a dia da viagem

– Cidade do Cabo (3 noites): StayEasy, Sun Square ou Belmond Mount Nelson – Table Mountain, Old Biscuit Mill, Cabo da Boa Esperança, Jardim Botânico Kirstenbosch
– Stellenbosch (1 noite): Oude Werf, Spier Hotel ou Delaire Graff Estate – Degustação de vinhos na Waterford Wine Estate
– Cidade do Cabo (1 noite) : Mojo Hotel – V&A Waterfront e Camps Bay
– Safári (2 noites): Madikwe Safari Lodge
– Joanesburgo (3 noites): Capital on Bath ou 54 on Bath – Museu do Apartheid, Soweto, Nelson Mandela Square e Marabi Jazz Club

Dia 1: Chegada em Cape Town – Old Biscuit Mill e Table Mountain

Minha mãe e meu padrasto no topo da Table Mountain.
Vista da cidade do cabo
Uma das vistas da Table Mountain.

Saímos do Brasil no fim da tarde de uma sexta-feira, fizemos escala em Joanesburgo e chegamos em Cape Town às 12h do sábado. Deixamos nossas coisas no Airbnb e decidimos sair pra aproveitar o dia. Fizemos tudo de uber, opção boa e barata pra se locomover por Cape Town. A cidade até tem uma rede de ônibus legal, o MyCiti Bus, mas que só vale à pena se você for passar uma temporada por lá.

Pra quem busca hotéis com bom custo benefício na cidade, já tive ótimas experiências no StayEasy e no SunSquare. Mas se a ideia é reservar uma hospedagem de luxo, recomendo o Belmond Mount Nelson.

Neighbourgoods Market em Old Biscuit Mill

Nossa primeira parada foi no Neighbourgoods Market, feirinha gastronômica que acontece todo sábado no Old Biscuit Mill, antiga fábrica de biscoitos localizada no bairro de Woodstock. O lugar abre todos os dias da semana e tem restaurantes incríveis e lojas de design. Aos sábados, com música ao vivo, DJs, comidas e bebidas de várias partes do mundo, é um programa imperdível. 

Depois de almoçar lá, seguimos pra um dos pontos mais famosos de Cape Town: a Table Mountain, montanha maravilhosa localizada bem no meio da cidade.

Table Mountain

Por que escolhemos visitá-la logo no primeiro dia? Porque o tempo em Cape Town é imprevisível e, se o vento fica forte ou o céu cheio de nuvens, fecham a subida pra montanha. Sendo assim, a dica é: reserve um dia para esse passeio no começo do seu roteiro pela África do Sul. Se não der pra fazer, você vai tentando encaixar nos próximos dias.

Como o céu estava azul, decidimos subir logo. Fomos até a base da montanha e compramos o ingresso pro Cable Car – espécie de teleférico que te leva até o topo. É possível subir à pé também por trilhas de dificuldades variadas.

Chegando ao topo, fomos seguindo as rotas demarcadas em um passeio bem livre. Vimos o começo de um pôr-do-sol lindo, mas decidimos descer quando o frio apertou. A montanha tem mais de 1.000 metros de altura, então é importante levar um bom casaco ou corta vento. Como estávamos cansados da viagem, encerramos o dia.

Dia 2: Cape Town – Passeio a pé pelo centro e V&A Waterfront

Roteiro pela África do Sul
O bairro de Bo-Kaap é famoso pelas casinhas coloridas.
Table Mountain e V&A Waterfront
A Table Mountain vista do V&A Waterfront.

Tour a pé pelo centrinho da Cidade do Cabo

Na manhã do segundo dia decidi levar minha família para um passeio à pé pelo centro da cidade. Eu morei lá durante o intercâmbio e queria mostrar não só os pontos turísticos, mas os lugares que tinham um valor afetivo pra mim. Como já conhecia muito bem a região, fui guiando eles, mas aconselho procurar um walking tour pra fazer esse passeio.

Nós saímos da Kloof Street, rua onde estávamos hospedados, e caminhamos até o The Company’s Garden, parque super gostoso. Em seguida fomos até o prédio do Parlamento – Cape Town é a capital legislativa da África do Sul – e até a igreja St George’s Cathedral.

Mostrei pra eles o prédio onde morei e alguns dos lugares que frequentava, e então passeamos pela Green Market Square. A praça é uma das opções pra comprar artesanato – mas mais pra frente dou a dica de um lugar melhor. Em seguida, fomos pro bairro de Bo-Kaap.

Bairro Bo-kaap

Famoso pelas casinhas coloridas, Bo-Kaap é um bairro com uma história super importante, que já abrigou escravos e malaios e hoje tem principalmente mulçumanos. Se quiser saber um pouco mais sobre tudo que já rolou por lá, vale visitar o Bo-Kaap Museum, museu bem simples localizado na Wale Street, a principal do bairro. Nós entramos em algumas vendinhas e compramos koeksister, biscoitinho típico, e temperos, muitos temperos – minha mãe e meu padrasto não cozinham mais sem as masalas que trouxeram de lá.

V&A Waterfront

Terminado o passeio à pé, fomos pra um dos pontos turísticos mais amados de Cape Town, o V&A Waterfront. Ele segue a lógica dos portos revitalizados cheios de hotéis, restaurantes, lojas, etc, mas é com certeza o mais completo de todos que já visitei.

Chegando lá almoçamos no La Parada, restaurante de tapas maravilhoso, e eu fui pro museu Zeitz MOCAA, enquanto minha família ficou passeando pelo porto. O Zeitz MOCAA é o maior museu de arte contemporânea africana do mundo e foi inaugurado em 2017 em um prédio incrível, feito a partir da estrutura de um antigo silo de grãos.

A coleção do museu é maravilhosa e vale muito a pena incluí-lo no seu roteiro pela África do Sul. Eu dei a sorte de pegar a exposição individual de um dos meus artistas preferidos, o sul-africano William Kentridge, então passei a tarde andando pelas salas feliz da vida.

Encontrei minha família já no começo da noite e fomos até o V&A Food Market, mercado gastronômico do V&A Waterfront, onde comemos algumas coisinhas típicas antes de encerrar o dia.

Dia 3: Cape Town – Cabo da Boa Esperança, Boulders Beach (Praia dos Pinguins) e Jardim Botânico Kirstenbosch

Boulders Beach
Pinguins na Boulders Beach.
Jardim Botânico Kirstenbosch
Aos pés da Table Mountain, o Jardim Botânico Kirstenbosch tem flores e vistas lindas.

Cabo da Boa Esperança

No terceiro dia fomos buscar o carro que havíamos alugado pra ir ao Cabo da Boa Esperança e, no dia seguinte, à Região Vinícola. É importante dizer que essa foi a nossa escolha, porque eu já conhecia os lugares e quis poupar tempo pra fazer outras coisas. Assim, pra quem vai pela primeira vez, sugiro contratar os tours que incluem Cabo da Boa Esperança e Boulders Beach e deixar um dia inteiro pra ele na hora de montar o roteiro pela África do Sul. 

Existem dois caminhos pra ir e voltar do Cabo da Boa Esperança: um pela Chapman’s Peak Drive, de um lado, e outro pelas cidadezinhas que beiram a False Bay, do outro. Nesse segundo caminho fica a Boulders Beach. O que a maioria das pessoas e excursões fazem é ir por um e voltar pelo outro.

Nós fomos pela Chapman’s Peak Drive, que eu considero, honestamente, a melhor parte de todo o passeio. Ela vai beirando a montanha de cara pra uma imensidão de Oceano Atlântico que é uma das coisas mais lindas que eu já vi na vida e tem vários mirantes pra foto.

Nossa primeira parada foi no Cape Point National Park, Parque Nacional onde fica o Cabo da Boa Esperança. O lugar é bonito, mas não acho que seja nada de tirar o fôlego comparado a outros que visitamos. Fomos dirigindo devagarzinho e vimos uma família de babuínos e vários avestruzes pelo caminho.

O parque todo tem indicações pra alguns pontos onde estacionar, mas dois são os principais: o que eles chama de “Cabo da Boa Esperança” e o “Cape Point”. Fomos primeiro pro Cabo da Boa Esperança e não quisemos pegar a fila pra tirar foto com a placa que – na teoria – marca o ponto mais ao sul do continente africano (na prática, o ponto de verdade fica em Cape Agullas, lugar pouco conveniente pra turismo e não tão bonito, e que por isso acaba sendo deixado de lado).

Em seguida, fomos pro Cape Point, onde você pode subir de bondinho ou a pé até um farol com uma vista bem bonita. Por ali também fica a loja de lembrancinhas e o restaurante Two Oceans, que é gostoso, mas nada excepcional.

Surpresa na estrada: baleias no mar!

Nós decidimos continuar viagem e comer em outro lugar. Pegamos o carro e fomos por aquele segundo caminho que eu mencionei, beirando a False Bay. Na estrada, uma surpresa: depois de ver uma multidão de carros e pessoas em um mirante, encostamos e descobrimos que haviam baleias nadando por ali.

Entre junho e novembro elas passam pelos mares sul-africanos e é possível fazer passeios de observação em Hermanus – cidade próxima de Cape Town. Não incluímos no nosso roteiro pela África do Sul por falta de tempo, mas é algo que tenho muita vontade de fazer. Se ver elas de longe já foi lindo, imagino de dentro do barco. De todo modo já fiquei super feliz.

Boulders Beach

Seguimos pra Boulders Beach, famosa praia dos pinguins. Pagando a entrada, você tem acesso a uma passarela de madeira a partir da qual dá pra ver centenas de pinguins que passam o ano todo ali, na colonia que criaram.

Continuamos subindo a costa em direção ao centro de Cape Town e paramos pra almoçar em Kalk Bay, uma espécie de vila de pescadores. Comemos fish & chips no Kalky’s, restaurante mais simples e tradicional da região.

Jardim Botânico Kirstenbosch

Ainda no caminho pra casa, saímos da região costeira e decidimos passar o final da tarde no Jardim Botânico Kirstenbosch. Aos pés da Table Mountain, é um lugar que merece a visita, não só pela vista linda, mas porque a África do Sul tem uma flora excepcional. A flor nacional é a Protea e no Jardim Botânico pudemos ver vários tipos dela.

Depois de um dia bem longo, tínhamos um último compromisso: jantar no The Potluck Club, restaurante de tapas do chef Luke Dale Roberts, um dos mais renomados da África do Sul. Fizemos reserva com algumas semanas de antecedência e valeu muito a pena. Pedimos nove tapas pra dividir e cada uma foi uma explosão de sabores diferente.

Dia 4: Ida para Stellenbosch – Degustação na Vinícola Waterford

Degustação na vinícola Waterford Estate.

No quarto dia de viagem tomamos café da manhã no restaurante vegano Plant – um dos meus preferidos em Cape Town – e seguimos de carro pra Stellenbosch, cidade da região vinícola. É possível visitar a região em um bate e volta, mas como somos muito fãs de vinho e eu queria conhecer uma nova cidade, decidimos incluir uma noite lá no nosso roteiro pela África do Sul.

Nos hospedamos em um airbnb, mas uma opção com bom custo benefício pra ficar no centro da cidade é o Oude Werf Hotel. Dentro de uma vinícola, o Spier Hotel também tem preços bons. Agora, se quiser viver uma experiência de luxo completa, uma alternativa icônica é o Delaire Graff Estate.

Em menos de uma hora chegamos e pegamos um uber pra vinícola Waterford Estate. Sentamos em um jardim delicioso e degustamos 6 vinhos. Dava pra ir a mais vinícolas, mas como estávamos satisfeitos – e mais pra lá do que pra cá também – voltamos pro centro da cidade e almoçamos no Doppio Zero, restaurante bem gostoso que existe aos montes na África do Sul. Por fim, passeamos à pé pelas ruazinhas de Stellenbosch.

Voltamos pro airbnb em Stellenbosch pra descansar e à noite saímos pra comer. Quando chegamos no restaurante planejado às 21h, ele já não estava recebendo novos clientes porque ia fechar logo.

Fica aqui o alerta: na África do Sul as pessoas comem cedo, vale ficar sempre atento aos horários ou se adequar ao padrão deles. A região vinícola é famosa pelos restaurantes, então foi um pouco decepcionante quando tivemos que improvisar e comer em um lugar mediano que encontramos aberto.

Dia 5: Stellenbosch e volta para Cape Town – V&A Waterfront e Camps Bay

O mar e as montanhas na praia de Camps Bay.
Café da manhã no Blue Crane & The Butterfly, em Stellenbosch.

Pra compensar a frustração gastronômica do dia anterior, fomos tomar café da manhã em um restaurante bem gostoso antes de deixar Stellenbosch, chamado The Blue Crane & The Butterfly.

Seguimos de volta pra Cape Town, deixamos as malas no hotel Mojo e devolvemos o carro. De lá seguimos de novo pro V&A Waterfront, dessa vez focados em comprar lembrancinhas no Watershed, um grande galpão cheio de artesanatos incríveis. Tudo lá é feito por produtores locais, diferente dos objetos vendidos nas ruas e em algumas lojinhas, que muitas vezes vem de grandes produtores da China, por exemplo. Era essa a dica melhor que tinha pra dar!

Passamos a tarde aproveitando mais um pouco do V&A Waterfront e no fim do dia fomos pra praia Camps Bay. Com o mar de um lado e a cadeia de montanhas 12 Apóstolos do outro, a orla é linda e super gostosa, com boas opções de bares, restaurantes e hotéis.

Como era nossa última noite em Cape Town e a cidade não economiza na oferta de bons restaurantes, decidimos ir em outro super bem recomendado, o Black Sheep. Eu e minha mãe comemos kingklip e meu padrasto comeu carne de kudo.

Dia 6: Voo para Joanesburgo e Ida para Madikwe: Safári no Madikwe Game Reserve

No primeiro dia de safári já vimos dois leões comendo uma girafa.

Saímos de Cape Town bem cedinho, por volta das 7h da manhã, porque chegando em Joanesburgo às 9h ainda tínhamos um trajeto de mais de quatro horas até a reserva de safári.

Escolhemos incluir no nosso roteiro pela África do Sul duas noites na reserva Madikwe Game Reserve, no hotel 5 estrelas Madikwe Safari Lodge, mais especificamente no Lelapa. Eu já tinha feito safári lá e gostado muito da experiência, mas a reserva é uma entre várias opções pra fazer safári. Contratamos um motorista pra fazer o transfer até a reserva, porque parte do caminho tinha estrada de terra, e antes de chegar ao hotel já vimos elefantes, girafas e zebras.

Chegamos na hora do almoço, comemos – todas as refeições são feitas no hotel mesmo – e saímos pro primeiro safári por volta das 16h. Fomos no jipe aberto nós três, o guia e mais quatro hóspedes. Sair naquele carro aberto, sentir o vento na cara e ver a imensidão da savana sul-africana é uma experiência que sempre me emociona muito. É importante saber que a reserva é enorme e os animais não estão à disposição, eles têm que ser encontrados. Um safári nunca é igual ao outro e a espera e a surpresa são parte da atividade.

Logo vimos alguns elefantes atravessando a estrada de terra bem na nossa frente, entre eles um bebê. Em seguida, descobrimos que tínhamos tirado a sorte grande: alguns leões tinham matado uma girafa há poucos dias e estavam rondando a caça pra que outros predadores não se aproximassem. Fomos até onde eles estavam e ficamos um tempão lá vendo eles se alimentarem. Alguns poderiam achar pesada a imagem e o som deles rasgando a carne da presa, mas foi incrível ver de perto a natureza simplesmente existindo do jeito que ela é, nua e crua.

Degustação de gin no meio da savana preparada pelo guia Patrick.

Saímos pra procurar mais bichos, vimos girafas e também antílopes – esses sim fáceis de encontrar aos montes – e um pôr do sol lindo. Descemos do carro em uma área segura e o guia fez alguns drinks pra gente. Já de noite, subimos de volta, demos uma última olhada nos leões e voltamos pro hotel. Jantamos e fomos dormir porque o dia seguinte começaria cedo.

Dia 7: Madikwe Game Reserve, o safári no nosso roteiro pela África do Sul

Girafa vista em safári na Madikwe Game Reserve.

Saímos pro safári da manhã às 6h. Os safáris são sempre assim no início da manhã e no final da tarde porque durante o dia faz muito calor e os bichos se escondem. Nos horários das saídas, por outro lado, pode fazer muito frio, então é importante ir bem agasalhado. Vimos mais elefantes, girafas e dessa vez também javalis e rinocerontes, um dos animais que mais me emocionam.

Descemos do carro e o guia fez café e algumas panquequinhas. Quando voltamos ao safári, fomos de novo ver os leões e encontramos uma leoa, que fazia sons um pouco assustadores – segundo o guia algum tipo de mecanismo pra acasalar.

Voltamos pro hotel e tomamos um belo café da manhã. Depois, tivemos um tempo livre até o almoço, que eu aproveitei pra curtir a piscina do meu quarto e tomar sol. Quando fui almoçar na piscina do hotel – existe uma grande geral e outras pequenas dentro dos quartos – encontrei uma das visões mais incríveis não só da viagem, mas da minha vida. Logo na frente da área da piscina tinha um poço de água e dezenas de elefantes se refrescavam na lama.

Elefantes se banhando na lama em frente à área da piscina do Madikwe Safari Lodge.

Eles não passam pra região do hotel por conta de uma cerca no chão, então é seguro ficar pertinho observando. Os elefantes são muito interessantes, muito engraçados, então dá vontade de olhar eles por horas. Era incrível ver as dinâmicas, a forma como um grupo novo chegava e esperava muito respeitosamente o que estava na água sair antes de entrar. Como cada elefante se jogava na lama de um lado, levantava e depois se jogava do outro, como os pequenininhos às vezes pareciam tropeçar e cair. Eventualmente chegaram também girafas e zebras, a festa completa.

Almocei olhando pra eles e depois fui pro safári seguinte. Nesse final de tarde vimos mais leoas, além de antílopes, rinocerontes e girafas. Procuramos hipopótamos e leopardos, mas não encontramos. Paramos pra tomar drinks de novo e voltando pro hotel jantamos um típico churrasco sul-africano, o braai. Comemos carnes mais comuns e também o que eles chamam de carnes de caça, de antílopes como o kudu e o springbok (mas que vem de criação mesmo, nenhum animal é caçado na reserva).

Dia 8: Safári no Madikwe Game Reserve, retorno pra Joanesburgo e Marabi Jazz Club

The Marabi Club, ótimo bar de jazz em Joanesburgo.

Acordamos cedo pro último safári e, além de alguns animais que já havíamos visto, como os leões, rinocerontes, girafas e zebras, encontramos alguns wild dogs (ou cães selvagens), uma hiena que vigiava um buraco cheio de filhotes enquanto as outras mães caçavam, e macacos. Tomamos nosso último café da manhã e fomos pra Joanesburgo novamente com um transfer contratado. Por lá, ficamos em um airbnb no bairro de Rosebank, que eu adoro. Nessa mesma região, já me hospedei no The Capital on Bath, que tem um bom custo benefício, e no 54th on Bath, ótimo pra quem procura luxo.

À noite, tínhamos feito reserva pra ir ao The Marabi Club, um restaurante com show de jazz. O estilo musical tem uma tradição bem forte na África do Sul, então vale a pena incluir um show no seu roteiro pela África do Sul. A apresentação foi ótima e a comida estava uma delícia, pedimos alguns pratos de tapas pra dividir, com menção especial pra barriga de porco. Minha família brinca que eu só levei eles em restaurantes de tapas, mas eu acho que é sempre uma ótima opção pra experimentar vários pratos de uma vez. 

Dia 9: Joanesurgo – Rosebank Sunday Market e Museu do Apartheid

Na entrada do Museu do Apartheid os visitantes sorteiam se entrarão pela porta de brancos ou não-brancos. Crédito: South African Tourism.

No nosso penúltimo dia de viagem fomos andando até um centro comercial localizado do lado do nosso apartamento e tomamos café da manhã no Tashas, restaurante que eu adoro. Ali do lado, fomos também até o Rosebank Sunday Market, mercadinho de artesanato, comprar alguns últimos presentes. Eu quis conhecer esse lugar porque nunca tinha ido e era perto do Airbnb, mas Joanesburgo tem outros dois mercados de comida e artesanato muito mais legais que vale a pena incluir no seu roteiro pela África do Sul: o Neighbourgoods Market, aos sábados, e o Market on Main, aos domingos.

À tarde seguimos pro Museu do Apartheid de uber – opção boa e barata porque o transporte público na cidade não funciona tão bem -, onde passamos umas 3 horas (mas onde eu juro que dá pra passar mais). O museu é incrível, muito rico em textos, fotos e vídeos, e toda a história que ele conta precisa de muita calma pra ser absorvida. Eu acho muito importante conhecer a história dos lugares que a gente visita, ainda mais no caso da África do Sul que passou por algo tão duro em um período tão recente. O Museu do Apartheid dá grandes lições e é uma parada imperdível no roteiro pela África do Sul.

Saindo de lá voltamos pra aquele mesmo centrinho comercial perto do apartamento e comemos no Ocean Basket, restaurante de frutos de mar que, mesmo sendo de rede, é bem gostoso.

Dia 10: Joanesburgo – Soweto, Nelson Mandela Square e loja de vinhos pra fechar nosso roteiro pela África do Sul

Antiga casa de Nelson e Winnie Mandela, em Soweto. Crédito: South African Tourism.

Tour pelo bairro Soweto

No nosso último dia, contratamos um tour pro bairro de Soweto. Eu acho que vale muito a pena ter um guia te acompanhando nesse passeio, porque ele vai contar toda a história do país com mais profundidade e trazer informações sobre a vida atual também.

Soweto significa Soth Western Townships, sendo “township” o nome dado na época do Apartheid a bairros mais afastados para os quais mandavam os negros, expulsos do centro da cidade. Soweto tem mais de 1,2 milhão de habitantes e ficou marcado como centro de resistência ao regime de segregação racial.

O passeio por lá começou na Vilakazi Street, única rua no mundo onde já viveram dois prêmios nobel da paz: Nelson Mandela e o arcebispo Desmond Tutu, e nossa primeira parada foi na casa de Mandela, hoje um museu. Ela é bem preservada, com móveis originais, além de marcas de tiro e de fogo nas paredes.

Outra parada é o memorial Hector Pieterson, feito em homenagem ao garoto de 12 anos que foi assassinado no Levante de Soweto. A foto do seu corpo sendo carregado por outro garoto, com sua irmã chorando ao lado, rodou o mundo e ajudou a comunicar a realidade do que acontecia na África do Sul.

Depois do tour, fomos comprar vinhos na loja Norman Goodfellows, talvez uma das paradas mais aguardadas da viagem. Os vinhos sul-africanos são maravilhosos e muito baratos, mas chegam no Brasil caros por conta dos impostos. Com a ajuda do Norman, vendedor maravilhoso que já tinha me recebido lá duas vezes, compramos 30 garrafas, que foram despachadas em caixas como duas unidades de bagagem.

Nelson Mandela Square

Nelson Mandela Square, em Joanesburgo.

Deixamos os vinhos no apartamento e seguimos – sempre de uber – pra Nelson Mandela Square, praça localizada no bairro de Sandton que tem uma grande estátua de Mandela e que fica anexada a um shopping enorme, o Sandton City. Almoçamos no Big Mouth, restaurante excelente.

À noite, tínhamos reserva pra jantar em um dos meus restaurantes preferidos na cidade, o Saint. Minha mãe faria aniversário no dia seguinte, quando estaríamos no avião, então já aproveitamos pra comemorar. O restaurante pertence a um chef super renomado, o David Higgs, e é focado em culinária italiana, mas com um toque cheio de criatividade. A decoração tem inspiração renascentista, mas é muito moderna e um espetáculo à parte.

No dia seguinte pegamos o voo das 11h em Joanesburgo e fomos direto pra São Paulo, chegando no Brasil às 18h. Minha mãe teve o aniversário mais longo da vida dela – ganhou 5 horas com o fuso horário – e chegou em casa feliz da vida, especialmente depois de ver que as 30 garrafas aterrissaram inteiras.

Roteiro pela África do Sul se você tem mais de 10 dias

Vale incluir na viagem a Garden Route, rota de carro que vai de Cape Town a Port Elizabeth passando por várias cidades costeiras que tem paisagens impressionantes e todo tipo de atividade de aventura: passeios de barcos, caiaque, trilhas incontáveis, tirolesa, vinícolas, e aquela que talvez seja sua parada mais aclamada, o bungee jump da Bloukrans Bridge, maior bungee de ponte do mundo.

A Garden Route também tem várias opções de safári, então você pode viver essa experiência por lá ao invés das reservas próximos a Joanesburgo.

É possível também passar mais tempo em Cape Town, já que nesse roteiro pela África do Sul coloquei só os passeios principais da cidade. Outras cidades como Durban e Pretoria também podem ser incluídas no roteiro.


E ai? Pronto para passar uns dias na África do Sul? Se tiver dúvidas ou sugestões e mais dicas, comente aqui nesse post que vamos adorar. =)

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