Roteiro pela Toscana: 6 dias de Pisa a Florença, passando por cidades menos conhecidas


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Ah, a Toscana… Sobram motivos e inspirações para conhecê-la. Por onde começar? Esse pode ser um grande desafio. Por isso, escrevemos dois posts com sugestão de roteiros pela Toscana. O primeiro, é um post com sugestão de um roteiro clássico de 9 dias pelas principais cidades (roteiro esse que pode durar mais ou menos tempo).  O segundo, é esse post com um roteiro pela Toscana, mas agora passando por cidadezinhas pouco conhecidas. Se tiver mais tempo, junto os dois roteiros e aproveite sua estadia prolongada em uma das regiões mais encantadoras do mundo.

Há décadas em alta como destino turístico, a região do centro da Itália é um desses lugares que viram facilmente xodós de muitos viajantes. E bons motivos para isso não faltam. A beleza cênica, com estradinhas que serpenteiam por colinas verdinhas caprichosamente enfeitadas por ciprestes, campos de girassol e parreirais a perder de vista. O passado não deixa por menos, com ruínas arqueológicas do tempo dos etruscos até maravilhas artísticas da Renascença. No quesito gastronomia, uma festança saborosa, com iguarias que vão de queijos a vinhos inesquecíveis. Sem contar a exclusividade e o aroma das trufas colhidas nos bosques toscanos.

Por que ir para a Toscana?

Porque além de vilas maravilhosas e ricas paisagens, a Toscana concentra duas das principais cidades turísticas italianas, a saber, Florença e Pisa. Todas são bons pontos de partida para tours pelas cidadezinhas que compõem o que se entende por “espírito toscano”. Todas têm um rico centro histórico e museus que valem a pena ser aproveitados com calma. Vale programar sua chegada para Florença ou Pisa, e conhecer os clássicos de uma e de outra.

E, claro, senhoras simpáticas sentadas na calçada.

Esse roteiro pode ser feito em qualquer sentido, começando ou terminando em Pisa ou Florença. Nenhuma das paradas sugeridas é obrigatória. Aliás, uma viagem dessas é versátil, você mesmo descobre seus cantinhos favoritos. Inegável que tanto Pisa quanto Florença abrigam preciosidades históricas que se incluem dentre os grandes monumentos italianos: a Torre de Pisa e Davi, de Michelangelo.

Quando ir para a Toscana?

O verão é maravilhoso e quente. Só que entre junho e agosto todo mundo parece que lembra disso e desembarca na Toscana. Daí pode não ser amor, pode ser uma cilada. Então, se não quer ser mais um na multidão, esqueça esses meses. Inverno (dezembro a fevereiro) é vazio, mas é um frio chato de ficar ao ar livre e você pode descobrir ventos bizarros. Entre setembro e novembro as folhas ficam laranjas e marrons, formando um espetáculo natural, as hordas chispam e descobre-se um outono que pode ser muito feliz. Mas cá entre nós, eu conheço poucos lugares mais lindos no mundo entre abril (meados de março, vai…) e fins de maio. Se puder, aproveite a primavera na Toscana.  

Como descobrir a Toscana?

Alugar um carro é a melhor maneira de conhecer a Toscana. Abaixo vou sugerir um roteiro de 6 noites (mas pode durar mais ou menos, depende do seu pique) que começa em Pisa e segue pelo norte até Pontremoli e depois retorna para Florença. Percorri estes roteiros com um guia muito experiente e definitivamente não há ordem certa e nem paradas obrigatórias (é muito chato alguém mandando em você, né?), já que as distâncias são bastante pequenas, de forma geral. Vamos nessa?

Roteiro pela Toscana dia-a-dia:

Dia 1 – PISA

Há inúmeros voos saindo de aeroportos menores da Europa que pousam em Pisa, como a EasyJet e a Ryan Air, assim como uma grande estação de trem. Não é complicado alugar um carro por ali, as grandes locadoras todas atuam na cidade e basta ter a sua carteira de habilitação brasileira válida. Uma opção para visitar a famosa torre e o centro histórico é deixar as malas no armário do aeroporto ou da estação de trem e ir de ônibus ou táxi, deixando para alugar o carro no fim do dia. Você pode até escolher dormir em Pisa, mas não sei se recomendo. Mais adiante você vai entender o porquê.

Foto tirada no centro de Pisa

Não deixe de aproveitar o centrinho de Pisa. Tomara que consiga chegar cedinho pra driblar as hordas de turistas. Na verdade não há muito mais do que a torre para ver, mas você pode esticar com uma visita completa à Piazza dei Miracoli, onde além da torre inclinada, fica o batistério e a catedral. Pode subir na torre, claro, mas eu prefiro gastar os € 18 (mamma mia!) com comida e vinho. Se sobrar tempo e disposição dê um rolê às margens do Rio Arno, visitando a Igreja de Santa Maria della Spina e pela Piazza dei Cavalieri. Você terá conhecido o mais importante desta cidade de 430 mil habitantes em uma manhã ou uma tarde.  

Dia 2 – LUCCA

Lucca, Piazza Medieval.

Agora sim, já a bordo do seu possante (existem carros populares por preços a partir de € 11 pela Rental Cars. Para começar sua jornada estradeira em grande estilo, mas sem esforço, dirija 10 quilômetros até Lucca. Se chegar no fim de tarde, não tem problema. Há inúmeras opções de hospedagem. Não que Lucca seja farta de coisas para fazer, mas é que simplesmente não dá vontade de ir embora, então já vá contando com esse magnetismo. Faça por sua conta o passeio pela muralha de 4 quilômetros e 12 metros de altura que desde 1650 protege a cidade e arme um piquenique no gramado.

Murais medievais em Lucca.

Com 50 mil habitantes, Lucca foi uma das poucas cidades toscanas a não ser bombardeada na 2a Guerra Mundial. Com bons trabalhos de restauro, preservou edifícios dos séculos 12 a 16 e é destino de estudantes de Arquitetura, que vão ver in loco obras-primas medievais e renascentistas. Parada obrigatória, a aconchegante Piazza Anfiteatro reúne lojinhas e cafés. Olhares atentos notarão os arcos em tijolos milenares das casas medievais que circundam a praça.

As belas torres de até 50 metros de altura – já foram 150, hoje são apenas 15 – eram símbolo de poder entre as famílias dos mercadores que enriqueceram. Uma das mais bonitas é a da famiglia Guinigi, de 1400, com árvores no alto de seus 44 metros e uma excelente vista da cidade.

Um senhor pedala na frente da Cattedrale di San Martino, em Lucca, na Itália

Cattedrale di San Martino e um simpático senhor na sua bike

Do século 11, a Cattedrale di San Martino impressiona pelas imensas colunas. Dentro, uma imagem de Cristo entalhada em tamanho natural é atribuída a Nicodemo, que assistiu à crucificação e motiva, em 13 de setembro, o Volto Santo, procissão iluminada por tochas.

Filho pródigo de Lucca, o compositor de ópera Giacomo Puccini (1858-1924) está eternizado em bronze diante da casa onde nasceu, na Corte San Lorenzo, 9. A 15 quilômetros dali, em Torre del Lago, onde o artista viveu, o Museo Villa Puccini mantém a casa preservada como quando ele morreu. No verão, o Puccini Festival é uma ótima oportunidade para conferir suas óperas num palco a céu aberto sobre o lago Massaciuccoli.

Dia 3 – CARRARA e COLONNATA

Praça Central em Carrara.

Dirigindo 57 quilômetros a noroeste, você chega passa por Marina di Carrara. Se a fome bater, no Hotel Villa Maremonti tem um ravioli de tinta de lula com espinafre e camarões que vale o almoço. E que justifica a parada e a preguiça na beira do mar, que não é tudo isso de bonito, mas a comida terá valido a pena.

ravioli di sepia com espinafre e camarões do Hotel Villa Maremonti

Ravioli di sepia com espinafre e camarões Hotel Villa Maremonti

Mais um pouco de estrada montanha acima e bingo: você chegou a Carrara. Sim, a famosa terra do mármore. Pare para um petisco ou uma cerveja num dos barzinhos da praça central. E repare nos bancos e nas faixas de pedestre: são todas de mármore (de Carrara, claro)! As ruelas da cidade são uma graça.

De Carrara saiu o bloco que Michelangelo transformou em Davi, o que virou a Pietà e muitos outras obras eternas. Atualmente a maior parte da produção é destinada à construção civil de luxo, mundo afora. Mas ainda há ateliês como o Studi d’Arte Cave Michelangelo que mostram como fazer esculturas contemporâneas nesses blocos impressionantes. Quando visitei tinha uma escultura da cabeçada que o craque Zinedine Zidane deu no zagueiro Materazzi, na final da Copa do Mundo de 2010.

Cabeçada do Zidane reproduzida em mármore em Carrara

Cabeçada do Zidane, dessa vez em mármore

Sua visita a Carrara não estará completa sem ver de perto as montanhas brancas de onde se extrai a famosa pedra. Eu fiz um tour de 3 horas a bordo de um Land Rover robusto da Il Tau, que na época custava € 280 para até 8 pessoas.

Tour de Land Rover pelas marmorarias é ótima pedida em Carrara

Tour de Land Rover pelas marmorarias é ótima pedida em Carrara.

Uma outra opção são os passeios rápidos da Marmo Tour, € 11 por 40 minutos a bordo de um micro ônibus por dentro de longos e estreitos túneis. Infelizmente o tour mais barato não passa na Fior di Chiara, uma caverna branca com 59 metros de altura e 220 de comprimento, realmente espetacular. Óculos escuros, protetor solar e calçado impermeável são essenciais.

Depois de visitar as marmorarias, nada como encher a pança com um lardo. O embutido preparado com a gordura do lombo do porco na salmoura e no alecrim é surpreendentemente saboroso e leve – eu juro! Colonnata é a capital italiana do lardo e só por isso já vale. Orna com um bom vinho tinto. De quebra você ganha uma vista linda das montanhas brancas.

 

Bruschetta de lardo é o grande prato local

Dia 4 – BAGNONE, CASTIGLIONE DEL TERZIERE e PONTREMOLI

Delicadinha e com pontes pequeninas, Bagnone merece um café,  uma andada lenta e um olhar contemplativo. É um desses lugares para descansar, ver a vida passar e sentir o charme e espírito da Toscana. A 60 km de Colonnata, tem um lindo castelo debruçado sobre o vale, além de vielas estreitas e um mercado de pulgas simpático.

Castello di Bagnone

Castello di Bagnone

A 4 km de Bagnone, o Castiglione Del Terziere pode até parecer um vilarejo morto, mas guarda uma energia poderosa. O velho castelo milenar foi por décadas o lar de Loris Jacopo Bononi, poeta, farmacêutico e escritor que ali viveu com sua esposa Rafaela. Ele faleceu em 2012, mas ela continua por lá e aluga casinhas no vilarejo para passar a noite. É uma experiência e tanto dormir lá e bater um bom papo com ela. Basta chegar e procurar, não será difícil.

Castiglione Del Terziere

Castiglione Del Terziere

Seja para jantar ou para almoçar, permita-se uma esticada até Pontremoli. Ali a Osteria della Luna prepara alguns do melhores pratos que provei na Toscana. Destaque para uma polenta com funghi porcini e um fettuccine com ragu de cordeiro. De Pontremoli você pode considerar retornar para Pisa (a 96 km) ou esticar até Florença (a 169 km).

Pontremoli a noite.

polenta com funghi porcini e um fettuccine com ragu de cordeiro da Osteria della Luna.

Dias 5 e 6 – FLORENÇA

Que lugar especial. Você vai conseguir sentir isso não importa quantos milhares de turistas estejam a disputar espaço contigo. Dois dias inteiros por aqui devem dar conta de ver boa parte do patrimônio.

Vista da Ponte Vecchio em Florença. Olhar de quem está as margens do rio.

Ponte Vecchio, em Florença.

Às margens do Rio Arno uma caminhada desenha um panorama da cidade mais importante da Renascença, onde figuras como Dante Alighieri, Leonardo da Vinci, Nicolau Maquiavel e Michelangelo viveram e trabalharam em muitas de suas obras primas. A principal dela, o Davi, é a grande atração da Galleria dell’Accademia, quiçá da cidade. Espere por filas quilométricas ou compre seu ingresso com antecedência. Mesma dica também vale para a Galleria degli Uffizi, uma das maiores coleções de trabalhos renascentistas e um dos principais museus do planeta. Compre antes, não vá “na louca” como eu fiz, porque você pensa muito na vida durante 2h30 ou mais de fila…

Duomo da Catedral de Santa Maria del Fiore, em Florença

Teto Catedral de Florença

Independente da religião, quem não viu os afrescos no teto do Duomo, como é conhecida a Catedral de Santa Maria del Fiore não visitou Florença. Ir até o altar e mirar o teto da cúpula é quase como ir ao céu, já que as pinturas ali retratadas são o mais perto do divino que meus olhos já estiveram, realmente um desbunde. Se puder, dê um jeitinho de se sentar numa parede e deitar no chão, porque o pescoço periga doer. É tudo isso mesmo. Assim como a vista lá de cima da cúpula, erguida em 1420, que vale o investimento e os degraus até o topo.   

A linha do horizonte em Florença é assim!

A linha do horizonte em Florença é assim!

Não deixe de se perder pelas ruazinhas do centro e de contemplar o Campanário de GIotto, as Capelas de Medici e a Galeria Palatina. Do outro lado cidade, o Giardino delle Rose é um mini parque com a vista panorâmica mais linda sobre a cidade. Realmente um lugar para meditar e sentir o poder da cidade. E encerrar sua jornada compreendendo as múltiplas dimensões da Toscana.

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  • Silvia Carrano

    Adorei as dicas. Da pra fazer o roteiro pela Toscana sozinha? Gostaria de saber também se precisa permissão para dirigir e como fazer?
    Obrigada

    • Oi Silvia,
      Sim, você pode fazer a Toscana sozinha tranquila. É uma região bem gostosa, que pode servir para diferentes tipos de pessoas que apreciem um bom vinho e comer bem, além de belas paisagens.
      Para alugar um carro por la, pelo menos quando fomos, só precisávamos da carteira de motorista brasileira mesmo.
      Boa viagem!

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