O que fazer em Manchester, na Inglaterra


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A primeira vista parece que não há muito o que fazer em Manchester, na Inglaterra. Mas é só chegar lá para encontrar uma infinidade de atrações interessantes, bons restaurantes, museus, e outros passeios. Confira nesse post dicas do que você não pode deixar de fazer em Manchester e aproveite sua viagem!

– Manchester: um contexto histórico
– Quantos dias ficar em Manchester
– O que fazer em Manchester: dicas do que visitar
– A Manchester do futebol

Sede da prefeitura, o Town Hall é o prédio mais fotografado de Manchester – Foto: Felipe Mortara

Manchester, um contexto histórico

Hoje muito famosa mundialmente por seus dois times de futebol, o City e o United, Manchester, na Inglaterra, já foi muito festejada por outro motivo. Aliás, vários outros motivos. Talvez o principal seja a sua importância como um dos motores da Revolução Industrial no começo do século 19. A cidade abrigava um sem-fim de tecelagens de algodão e que foram as primeiras a serem impulsionadas pelo advento das máquinas a vapor. Chegou a ganhar o apelido de Cottonopolis. Nesse período, surgiu aqui a primeira ferrovia do mundo saía de Manchester em direção à Liverpool, onde os tecidos de algodão eram enviados para exportação.

Principal cidade do noroeste da Inglaterra, fica a 336 quilômetros de Londres – são só duas horas de trem. Os vestígios de ocupação da região remontam à Idade do Bronze (3.000 a.C  – 1.200 a.C), mas os romanos certamente transformaram muito a região a partir de 79 d.C. A construção do Forte de Mamucium marca o início do período romano, com uma série de fortificações que não resistiram ao tempo. Porém, muitas lindas construções multicentenárias ainda fazem de Manchester uma candidata a Cidade Patrimônio pela Unesco.

Também foi aqui que Rolls e Royce firmaram a parceria para a criação da marca de carros. Por fim, foi aqui que Alan Turing desenvolveu o que levaria à criação do primeiro computador (quem assistiu O Jogo da Imitação?). A cidade inclusive tem muito orgulho de Turing, com diversas coisas nomeadas em sua homenagem. Além de sua invenção, sua história pessoal também é muito enaltecida – Turing era gay e sofreu uma castração química por causa disso.

Museu de Ciência e Indústria, entendendo o passado e presente de Manchester – Foto: Felipe Mortara

Até pelo histórico industrial, Manchester também foi marcada por movimentos sociais. Foi aqui que teve início o movimento das sufragistas, as mulheres que lutaram pelo direito ao voto, por exemplo. Quando estiver por aqui, você verá abelhas retratadas por todos os lados e em todos os souvenirs. Isso é porque a abelha é o símbolo da cidade, representando os operários.

Por último, mas não menos importante, Manchester é ainda uma capital musical na Inglaterra. Até hoje a cena musical é muito forte, um prato cheio para quem gosta de ver um bom show, seja de artistas consagrados ou de quem ainda está começando na área. Bandas de peso saíram daqui, como The Smiths, Joy Division e Oasis – esta última inclusive, é trilha sonora incessante nas lojas, bares e restaurantes da cidade.

Nos dias de hoje, Manchester tem a segunda região metropolitana mais populosa do Reino Unido, com 2,6 milhões de habitantes. Porém o clima no centro é de uma cidade de médio porte. A arquitetura moderna de muitos prédios do centro dialoga muito com um estilo contemporâneo da população, mas também orna com o passado e cria em Manchester uma atmosfera progressista.

Quantos dias ficar em Manchester?

Você pode ver o principal da cidade em um dia, foi o que fiz na primeira vez que visitei. Mas apesar de ser suspeita por ser apaixonada por esse lugar onde moro há um ano e meio, acredito que dois dias inteiros em Manchester é o ideal, incluindo pelo menos uma noite para curtir a vida noturna. Com três dias, você pode voltar em algum lugar que gostou, conhecer mais museus, alguns segredos ou incluir um bate e volta.

Com mais do que três dias em Manchester você com certeza arruma coisas para fazer. Meus pais quando vieram me visitar ficaram seis dias inteiros, se não me engano, e não repetiram passeios. Você vai sair daqui conhecendo as atrações melhor do que um local. No entanto, acredito que em uma viagem normal, com quatro dias disponíveis, valha mais a pena incluir outras cidades no roteiro.

Onde ficar em Manchester

Na minha opinião, a não ser que você vá ficar na casa de alguém, não tem sentido se hospedar fora do centro da cidade. Eu acrescentaria que o ideal mesmo é ficar nas proximidades do Piccadilly Gardens, mas outros pontos no centro também funcionam bem, já que as caminhadas ali não passam de 20 minutos e também há duas linhas de ônibus grátis (vou falar mais deles adiante).

Olhando o mapa de Manchester é bem fácil identificar o centro, ele está cercado pela Ring Road, o rodoanel mancunian (esse é o gentílico da cidade). Nele, o Civic Quarter é meu lugar preferido para hospedagem, porque você está bem no centro e em um pedaço tranquilo, mas ficar em Castlefield, Spinningfields, Deansgate, Retail District, Northern Quarter ou Gay Village também funciona super bem! Mas lembre-se que nos dois últimos pode ser mais barulhento, por causa da vida noturna intensa.

Caso o valor compense, você não perderá muito ficando na Oxford Road, antes das universidades, ou então em Salford – que é a cidade vizinha, conurbada –, mas bem na divisa com Manchester, em frente ao People’s Museum. É bem possível que hospedagens na região de Media City apareçam em uma pesquisa nos principais sites de busca, mas acho uma furada ficar por ali, que é um pouco isolado.

Alguns bons hotéis são The Midland e Kimpton Clocktower.

Como se locomover em Manchester, Inglaterra

Piccadilly Gardens Manchester Inglaterra
O Piccadilly Gardens é o coração do centro de Manchester

A pé! Estando hospedado no centro da cidade, a melhor forma de explorar é caminhando e, como disse lá em cima, isso também é bem fácil, já que as distâncias são curtas. Mas, se a preguiça bater ou se estiver chovendo (algo nada raro por aqui), aproveite uma das duas linhas de ônibus grátis que circulam pelo centro da cidade.

Todos os ônibus grátis têm como ponto inicial e final a estação de trem de Piccadilly e passam pelos principais pontos turísticos com rotas complementares (consulte aqui). Além de gratuitos, os ônibus ainda contam com wifi.

Se você escolher explorar algum lugar fora do centro da cidade, o meio de transporte mais prático são os trams, aqui chamados de metrolink. O preço varia de acordo com as zonas que você andar e para pagar, basta aproximar o cartão da maquininha que fica na plataforma tanto na entrada quanto na saída. Também é possível comprar tickets na máquina na plataforma.

Agora, para quem chega ou sai de Manchester de avião, a melhor e mais rápida conexão entre o aeroporto e o centro são os trens. Eles saem tanto de Piccadilly quanto de outras estações como Deansgate e Oxford Road e custam cerca de 3 libras. Também é possível fazer o trajeto de tram ou de ônibus, mas o percurso é muito mais demorado.

O que fazer em Manchester Inglaterra? Dicas do que visitar

A Catedral tem dimensões pequenas, mas é muito elegante – Foto: Felipe Mortara

Tour no centro da cidade

Qualquer visita a Manchester deve incluir um tour bem completo no centro da cidade. Recomendo começar pela St. Peter Square, onde está a biblioteca central da cidade, onde vale entrar para conferir a imponente sala de leitura.

Também na St. Peter Square não deixe de conferir a estátua de Emmeline Pankhurst, uma das primeiras sufragistas, o imponente prédio da prefeitura e o monumento aos veteranos de guerra, logo em frente. Ainda na praça, dê uma passada na entrada do Midland Hotel para ver o Rolls Royce que prova que ali foi o local de criação da marca.

Central Library é uma das preciosas bibliotecas de Manchester – Foto: Felipe Mortara

Siga pela Mount Street em direção à Manchester Albert Square e desça a Brazennose Street, parando para dar uma olhada na St Mary’s Church, que é considerada um hidden gem (ou em bom português: um segredo de viagem), e surpreenda-se com a estátua em homenagem ao presidente americano Abraham Lincoln. O que afinal essa estátua faz ali? O presidente escreveu uma carta aos trabalhadores da cidade no contexto da guerra civil americana e essa relação foi eternizada (entenda melhor neste e neste texto).

Seguindo em frente, a próxima parada é a John Rylands Library, uma biblioteca em estilo gótico super linda e impressionante. Se você lê em inglês e tem interesse em história, a John Rylands é um ótimo lugar para entender mais sobre as conexões dos industriais do norte da inglaterra com a escravidão no continente americano. A biblioteca também sempre tem exposições temporárias bem interessantes. Parada incontornável quando estiver na cidade.

John Rylands Library Manchester
Eu no fotogênico corredor da John Rylands Library

Saindo de lá, caminhe pela Deansgate Street até a King Street, uma rua de pedestres bem charmosa, que costumava ser repleta de lojas de luxo, mas que hoje tem estabelecimentos muito mais interessantes, na minha opinião. Pegue a St. Anns Passage para chegar à Saint Anns Place e Saint Anns Square.

Seguindo reto pela New Cathedral Street você chega à Exchange Square, um dos lugares mais legais da cidade, onde a modernidade do Retail District se mistura à história da Shambles Square, onde está o mais antigo pub da cidade (Old Wellington).

Contorne o Old Wellington pela esquerda para visitar a Catedral de Manchester. Do lado dela está o Glade of Light, um memorial para as vítimas do atentado ao show da Ariana Grande, que aconteceu em 2017.

O imponente interior da catedral – Foto: Felipe Mortara

Dali você chega ao Cathedral Gardens, uma praça gostosa onde está o Museu do Futebol, que vale a visita principalmente para os fãs do esporte ou quem vai com crianças.

Finalize seguindo pela Cross Street e depois pela Market Street, a principal rua de compras da cidade, que te leva até o Piccadilly Gardens, o coração do centro de Manchester.

Com esse tour você já cobriu tudo de mais básico para conhecer em Manchester e explorou os principais pontos dos chamados Civic Quarter e Retail District.

Castlefield

Castlefield Manchester Inglaterra
Castlefield é uma das minhas regiões preferidas da cidade

Ainda na região central da cidade, há alguns distritos que valem ser explorados com maior atenção. O primeiro deles é Castlefield, a parte mais histórica da cidade. Comece o passeio pelo Castlefield Viaduct, a High Line mancunian. Ok, está bem longe de ser uma High Line, o parque suspenso de Nova York, mas nada mais é do que um viaduto onde antes passava uma linha de trem que foi desativada e o espaço transformado em um parque. Dali, desça para o canal para chegar em um lugar chamado Castlefield Basin, onde você vai ver um misto de arquitetura industrial com casas-barco no melhor estilo holandês.

Siga caminhando por ali, passe pelo Castlefield Bowl, suba as escadas da arquibancada para chegar a um pequeno parque com ruínas romanas o Castlefield Urban Heritage Park. Dali basta andar menos de duas quadras para chegar ao Museu da Ciência e Indústria, que entre seus prédios está justamente a primeira estação de trem do mundo.

Dê uma passada no Aviva Studios, um centro cultural bem interessante, para conferir a programação e a vista do rio. Você pode continuar o passeio por Spinningfields, o distrito moderno do Manchester, ou pegar um Free Bus rumo a outra parte da cidade. Outra opção é fazer o passeio por Castlefield no sentido inverso e terminar na First Street, um cantinho bem especial da cidade, com um centro cultural, o HOME, e vários bares e restaurantes.

HOME é um dos centro culturais mais legais de Manchester – Foto: Felipe Mortara

Northern Quarter

Pra mim, uma viagem a Manchester não está completa sem um bom passeio pelo Northern Quarter. Esse é o bairro descolado da cidade e, na minha opinião, o que melhor reflete o espírito e cultura mancunians. Por lá você encontra muita arte e rua, lojas descoladas e os melhores bares e restaurantes de Manchester.

No Northern Quarter não deixe de ir no Afflecks, um patrimônio cultural da cidade que lembra bastante a Galeria do Rock de São Paulo. Além disso, o Manchester Craft and Design Centre é um lugar legal para quem curte coisas de decoração e acessórios, todas feitas por artistas locais.

No mais, caminhe pelas ruas. A Oldham e a Hilton Street são duas das principais, mas não deixe de ir também na Church Street, Thomas Street e na Stevenson Square. O Northern Quarter é o passeio ideal para um sábado ou um fim de tarde, quando tudo fica mais animado e pra você já escolher uma das inúmeras opções para tomar uma cerveja ou um bom drink.

Ancoats

Ancoats Manchester Inglaterra
Eu e minha mãe em um dia gelado em Ancoats. No verão essa região bomba

Já um pouco para fora da área central, mas ainda a poucos minutos de caminhada está Ancoats. O bairro é um dos meus favoritos em Manchester por unir a arquitetura completamente industrial a novos empreendimentos interessantes e estabelecimentos totalmente charmosos.

Ancoats foi o bairro onde se instalaram os migrantes que chegaram a Manchester para trabalhar nas fábricas, mas hoje o bairro que ainda é residencial é também um dos principais na cena gastronômica da cidade.

Caminhe pela Blossom Street até chegar à Cutting Room Square. Depois, vire na Bengal Street e atravesse o canal para o lado esquerdo, em direção à New Islington Marina. Passeie por ali, que também é um reduto de casas-barco e siga em direção ao Ashton Canal. Siga o Ashton Canal Tow Path para voltar ao centro por um caminho agradável.

Assim como o Northern Quarter, Ancoats também fica bem animado de sábado. Um brunch de domingo por ali também é uma ideia incrível, principalmente na consagrada (e disputada) Pollen Bakery.

Gay Village

Lembra que eu falei lá no começo que a vida pessoal de Alan Turing também era muito celebrada em Manchester? Pois bem, um exemplo disso é a Gay Village, a região dedicada à cultura LGBTQIAP+. Sim, esse é o nome oficial de um pedaço da cidade onde não faltam bares e baladas voltados para o público LGBT (mas frequentados por todos).

No Sackville Gardens, uma praça super agradável, veja a estátua de Alan Turing, que sempre recebe flores. Logo em frente está a Canal Street, o polo principal da Gay Village, repleta de baladas e também super charmosa.

Se quer curtir a vida noturna, sexta e sábado são os dias que essa região realmente bomba. Mas de qualquer forma, de dia ou de noite vale dar uma passada lá para conferir os pontos que mencionei.

Media City

Media City Salford Manchester
Media City é uma área bem nova, cheia de modernidade, mas também com seu charme particular

Para terminar a lista de regiões de Manchester onde vale a pena passear, vamos ao Media City. Essa parte na verdade fica em Salford, uma cidade da região metropolitana. Lá é um pedaço bem moderno onde se concentram estúdios de todas as redes de televisão. Geralmente, conteúdos relacionados a esportes e entretenimento das televisões britânicas são filmados ali.

Eu pessoalmente acho a região bem agradável e interessante por ser super diferente do resto da cidade. Ali há também canais, que trazem um charme e uma visão bem legal de noite, quando várias luzes se acendem.

Aproveite para visitar o centro cultural Lowry e o Imperial War Museum.

Os museus de Manchester

Manchester Art Gallery

Principal galeria de arte da cidade, bem no centro. Tem um acervo, mas são as exposições temporárias que são mais interessantes. Confira a programação aqui.

Whitworth Art Gallery

Whitworth Art Gallery Manchester
O Witworth vale entrar no seu roteiro pelo prédio lindo e a o agradável parque onde ele está

Outra galeria, esta focada em arte moderna e contemporânea. Também acho que vale mais pelas exposições temporárias. A Whitworth tem como ponto positivo o prédio, que é lindo e imponente, e também o café e restaurante do museu, que fica em uma parte lindíssima, toda envidraçada com vista para o parque.

People’s Museum

Esse museu tem uma premissa interessante: contar a história das pessoas e dos movimentos sociais que marcaram a cidade e o Reino Unido como um todo. Mas na minha opinião a execução deixa um pouco a desejar.

Esse museu só vale a pena para quem fala bem inglês, porque há muita coisa para ler. Sem ler, a exibição perde bastante o sentido.

Science and Industry Museum

Um museu que conta a história da industrialização e tecnologia. No acervo há algumas coisas bem interessantes, como a parte sobre os tecidos, com exemplares das antigas máquinas que eram usadas para transformar algodão.

Museu da Ciência e Indústria é parada obrigatória para entender a cidade. E é de graça!

Porém, na minha opinião, o mais legal dele é a parte onde fica a primeira ferrovia, que mencionei lá nas partes da história da cidade e do tour por Castlefield. Antes de ir, confira se essa parte está aberta a visitação, já que andou fechada para reforma.

Manchester Museum

Esse talvez seja considerado o museu mais importante da cidade, em parte porque reabriu recentemente após um longo período fechado em reforma. É um museu de história natural, com direito a muitos animais e múmias.

Eu particularmente não acho nada especial, mas se é algo que te interessa, vá em frente. Vale destacar que por estar novo, a estrutura do museu é bem boa e a área de café bem gostosa.

A Manchester do futebol

Old Trafford Manchester United Inglaterra
O Old Trafford é um dos estádios mais icônicos da Inglaterra

De todas as cidades onde fui na Inglaterra, Manchester é a que mais respira futebol. As cores dos clubes, vermelho e branco do Manchester United, e azul e branco do Manchester City, estão por todas as partes. Mesmo que não consiga ingressos para assistir a um jogo ao vivo, só de ver num pub lotado de torcedores já vale muito a pena. Veja se haverá jogo em algum dia da sua viagem. Mas, mesmo se não tiver, você pode ir aos estádios dos times embarcar em ótimas visitas guiadas.

É possível visitar tanto o Old Trafford, quanto o Etihad, estádios do Manchester United e Manchester City, respectivamente. No primeiro, a visita inclui tour do campo e museu. No segundo não há museu. De qualquer forma, há diversas opções de visitas, então acesse o site de cada um para entender qual mais te interessa.

Etihad Stadium, em Manchester, na Inglaterra – Foto: Felipe Mortara

Além disso, aqui em Manchester também há o National Football Museum, que mencionei acima na parte do tour pelo centro da cidade. Diferente da maior parte dos museus da Inglaterra, este é um museu pago. O Museu do Futebol é muito bem feito e bastante lúdico, ótima opção para crianças.

É o máximo ver de perto uma das bolas que o paulista Charles Miller trouxe para o Brasil e inaugurou nossa saga futebolística. Ou então a camisa da seleção argentina com a qual Diego Maradona fez seu gol de mão, o famoso La Mano de Dios, na Copa de 1986. Se você for corajoso e apaixonado mesmo, saiba que há itens autografados na lojinha, como uma camisa da Copa de 70 assinada pelo Pelé por “apenas” 500 libras (R$ 2.400).

Segredos de Manchester

Abelha operária Manchester Inglaterra
As abelhas estão por toda parte em Manchester

Chorlton

Já aviso que essa dica eu sou suspeitíssima para dar, porque este é o bairro onde eu moro. Para os paulistanos, Chorlton é como se fosse a Santa Cecília de Manchester. Um lugar que passou por um processo de gentrificação e hoje abriga uma série de estabelecimentos descolados.

O bairro é bem residencial, mas também cheio de restaurantes e barzinhos legais, o que o tornam uma opção interessante para a noite, se você busca coisas mais tranquilas. Chorlton também é um polo interessante para quem quer explorar as charity shops, já que tem montes delas por aqui.

Para referência, os principais pontos de interesse estão na Manchester Road/Barlow Moor Road, na Wilbraham Road (e o encontro entre elas, popularmente conhecido como 4 banks), na Beech Road e em Chorlton Green.

Didsbury

Assim como Chorlton, Didsbury é um bairro residencial – este, de classe um pouco mais alta. Por ali também há muitos bons restaurantes e cafés, além do Fletcher Moss Botanical Gardens, um gostoso passeio para um fim de semana de sol.

Comece pelo jardim botânico, passe pelo Parsonage Gardens e depois siga caminhando pela Wilmslow Road, a principal, onde você vai encontrar a maior parte das coisas interessantes do bairro.

Makers market

Quem não dispensa uma feirinha de artesanatos deve ficar ligado no Makers Market, um mercado que acontece todo final de semana em um ou mais pontos da cidade. Tanto os artesanatos quanto as comidas são imperdíveis, vale muito a pena o passeio!

Green quarter/NOMA/Cheetham Hill

A novidade em Manchester é a região entre NOMA, Green Quarter e Cheetham Hill. Os bairros não são novos, mas de uns tempos pra cá estão cada vez mais cheios de bares e rolês alternativos. Por ali não faltam pubs descolados e cervejarias artesanais, além de um cinema cult chamado Cultplex.

Onde sair à noite em Manchester

Se você vem a Manchester em um fim de semana e quer curtir a vida noturna, o que eu definitivamente recomendo, eu também tenho as dicas para você, independente do seu tipo de rolê ideal.

Antes de mais nada, vale dizer que em Manchester, é sempre mais legal sair de sexta, porque sábado as pessoas começam a beber mais cedo, e portanto, ficam mais exaltadas logo no começo do rolê, o que sinceramente eu não acho muito legal – sem moralismos.

Além disso, tenha em mente que de forma geral a noite aqui começa e acaba bem mais cedo do que estamos acostumados como brasileiros, então mesmo se você quer badalar, esteja preparado para estar na rua por volta de 21h e ir embora no máximo 3h.

Na minha opinião, os melhores rolês de Manchester são os que a música é o centro, com bandas da região em início de carreira ou até mesmo cantores amadores. Se você se interessou, procure pelos Open Mics (noites de microfone aberto). O melhor da cidade definitivamente é o do Whiskey Jar, que acontece às terças e quartas.

Além disso, outras recomendações de bares com música ao vivo são YES, Low Four, The Blues Kitchen, Thirsty Scholar e Matt and Phreds, este último focado em jazz. No Whiskey Jar sempre há boa música, mesmo nas noites que não há open mic.

Se a sua parada é balada, a região de Deansgate e Spinningields está cheia delas. Albert Schloss, Mojo, Revolution, Lola Lo, Revolución de Cuba e Oast House são alguns exemplos. Esses lugares são bem avaliados e sempre bombam, mas sendo bem sincera não é o tipo de lugar que eu curto frequentar já que o pessoal é bem jovem e “heterotop”.

Ainda no clima de balada, mas indo para o outro extremo, a noite na Gay Village sempre é garantida com muita música pop. Via, G-A-Y e The Church são alguns dos meus lugares preferidos.

Quem quer um meio termo das baladas pode procurar a programação do Deaf Institute, Band on The Wall, Lost in Tokyo, Venue ou o YES, outra vez. Para uma experiência bem marcante, busque as festas que acontecem dentro da Catedral (sim, a igreja), no Victoria Baths ou no Warehouse Project (considerada a melhor festa eletrônica da Inglaterra).

Agora, se você só quer um barzinho bacana, minha dica é ir ao Northern Quarter e escolher uma entre as inúmeras opções. Ou se quer algo inovador, busque um dos bares de Chorlton. Para um jantar de respeito, Didsbury oferece opções incríveis.

Bate e voltas de Manchester

Liverpool

Visual cinematográfico em Liverpool

Começando com uma polêmica. Liverpool é uma cidade bem mais famosa e procurada em termos turísticos do que Manchester, principalmente por ser a cidade natal dos Beatles. Tenho que admitir que ela realmente é mais bonita visualmente falando.

Muitos dizem ainda que Manchester não tem o que fazer se comparada com Liverpool, o que eu discordo veementemente. Com todas as dicas que dei, deu pra perceber que por aqui tem sim muita atração né?

Eu pessoalmente acho que vale a pena passar dois dias inteiros em Liverpool, ao invés de apenas incluir como bate e volta. Idealmente, sua viagem incluiria dois dias lá e dois em Manchester. No entanto, as duas estão a apenas um trajeto de 50 minutos e 7 libras (ida e volta!) de trem de distância, o que significa que com apenas três dias disponíveis é totalmente possível ficar em uma e ir conhecer a outra.

A decisão aqui é uma questão de estilo de viagem. Quem prefere cidades grandes, movimentadas, fica em Manchester e passa um dia em Liverpool. Foi o que meus pais e meus amigos que vieram me visitar fizeram e todos aprovaram a experiência. Fãs incondicionais de Beatles e aqueles que preferem caminhar respirando a brisa do mar e conhecer muitos museus, fica em Liverpool e passa um dia em Manchester.

York

Muro de York
Caminhando pelo muro de York

York, na minha opinião, está no limite da distância de um bate e volta aceitável. De trem, você demora cerca de 1h30 a 2h para chegar lá. Eu fiz esse trajeto recentemente, trocando de trem no meio do caminho (o que totalizou 2h de viagem) e achei que valeu a pena e foi tranquilo, ainda que um pouco cansativo (a troca de trem foi fruto da minha falta de atenção na hora de comprar a passagem, há opções diretas).

York é uma cidade fofa e charmosa, mas como é bem pequena e sem tantas atrações, funciona bem para um roteiro de um dia. Por lá tudo está bem concentrado no centrinho e acho que o tipo de passeio que se faz lá complementa o que se vê em Manchester, já que são cidades bem diferentes.

Chester

Chester é uma cidade histórica a cerca de uma hora de distância de Manchester. É uma boa pedida para quem quer ir além dos roteiros mais clássicos ou quer um bate e volta que exija poucas horas. Indo a Chester de manhã, você pode tranquilamente voltar a tempo de descansar e depois sair para a vida noturna de Manchester.

Chester é uma cidade de certa forma parecida com York, ambas são pequenas, muradas, com uma grande igreja de atração central e ruas fofas e construções em estilo bem antigo. Eu pessoalmente gosto mais de Chester, ainda que York seja bem mais famosa.

Peak ou Lake Districts

Os amantes de natureza podem incluir uma ida ao Lake District ou ao Peak District para fazer um hiking. Esta é uma boa opção para balancear o clima cidade grande de Manchester com uma caminhada ao ar livre e belas vistas.


Será que depois de todo esse batalhão de informação ficou faltando alguma coisa sobre Manchester, na Inglaterra? Conta pra gente aqui nos comentários se tiver alguma dúvida ou sugestão! Se você vai para a Manchester, Inglaterra, não deixe de conferir também os nossos posts de Londres.

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