Aysén: patagônia chilena ainda fora do radar – mas igualmente incrível


Atualizado em:


Quando as pessoas ouvem falar de Patagônia algumas imagens costumam vir à cabeça. Me atrevo a listá-las. Na Patagônia Argentina, o Glaciar Perito Moreno, em El Calafate, e Ushuaia, a cidade mais austral do Mundo. Na Patagônia Chilena, as imbatíveis Torres del Paine. Contudo, a patagônia chilena abriga mais uma jóia, muito menos famosa e cheia de turistas, mas igualmente incrível: a região de Aysén.

Confesso que quando ouvi falar pela primeira vez fiquei desconfiado. Afinal, achei que tudo o que de melhor havia ao sul de Bariloche estava incluso nessa singela lista de destinos acima – e que eu já tive a sorte de visitar. Mas como é bom viajar para descobrir-se enganado.

Percorrendo os caminhos da Carretera Austral, na Patagônia Chilena

Caminhonete vermelha em uma estrada , ao fundo montanhas e árvores

Vamos ao passo a passo para você entender porque vale a pena dar uma chance para a região da Carretera Austral, uma rodovia que conecta Puerto Montt até Villa O’Higgins, ao longo de 1.240 quilômetros. Mas fique tranquilo que você não precisa percorrer a carretera toda para entender o lugar, pois vamos nos ater a região de Aysén, que fica bem no trecho ao centro da rodovia.

Esqueça os pampas planos com montanhas pontiagudas lá de Torres del Paine e de Calafate. A graça aqui é a diversidade de cenários. um sem fim de glaciares, ilhotas e grutas esculpidas no mármore. Sem contar as montanhas com picos nevados, cachoeiras sem fim e bosques repletos de espécies.

Capillas de Mármol, uma das principais atrações da região de Aysén

Para aproveitar melhor a região de Aysén, enfim, veja abaixo as dicas práticas desse lugar ainda pouco explorado na Patagônia Chilena.

Como chegar até a região de Aysén?

Há voos diários de Santiago até o pequenino aeroporto de Balmaceda (2h15 de duração). Dali é preciso apanhar um transfer até Puerto Chacabuco, o primeiro ponto de partida para explorar os arredores. Para ir até lá é preciso passar por Coyahique, a maior cidade da região, com cerca de 50 mil habitantes – o mercado de artesanato é a única grande chance de comprar souvenir.

Loja de feirinha de artesanato no Chile.

O artesanato local de Coyahique

Outra opção é voar até Puerto Montt (1h50) e alugar um carro para explorar por si mesmo descendo até Villa O’Higgins.

Onde ficar?

Essa é uma estratégia essencial para explorar a região. É possível ir migrando de hotel ao longo do percurso, caso esteja de carro. No entanto, há o risco de não conseguir acomodações durante a alta temporada – de outubro a março.

Hotel Loberias del Sur, em Puerto Chacabuco. Crédito: Divulgação.

Uma boa pedida é o Hotel Loberías del Sur, em Puerto Chacabuco. Com diárias na faixa de R$ 330 com café da manhã para duas pessoas, tem a vantagem de estar numa espécie de coringa geográfico da região. Super confortável, com padrão 4 estrelas, tem ótimo restaurante e uma vista ampla sobre o porto, numa região criadora de salmão. Também conta com a operadora de turismo mais estruturada da região, com barco próprio, além de ótimos e novos veículos 4×4 e vans.

Veja mais opções de hotéis em Puerto Chacabuco e Puerto Aysen.

O que fazer em Aysén?

A primeira coisa que você precisa saber é que essa é uma região em que as distâncias entre as atrações são longas. Ou seja, você vai passar uma boa parte do tempo em transfers e vans. Claro, pelo caminho há paradas em mirantes e cantinhos sensacionais. Mas os deslocamentos são demorados. Não tem muito o que fazer, a não ser ter paciência. Mas de novo, essas são suas férias. Relaxa que valerá a pena.

Capillas de Mármol

Pronto, vamos direto ao destaque mais famoso da região. As famosas grutas de mármore esculpidas pela ação do vento, da água e do tempo são uma formação única e embasbacante. Sim, não tem nada igual no planeta e quando você vir no mapa a distância desse lugar para todo o resto da região se perguntará o porquê das pessoas virem até aqui. Resposta: porque é incrível.

Barco entrando em gruta de Mármore, na Patagônia Chilena

Às margens do Lago General Carrera, o maior da região, o pequeno povoado de Puerto Rio Tranquilo é tudo o que o nome diz. E também o ponto de partida para essa preciosidade. Olhando para o lago um tanto insosso (sem trocadilhos), custa a acreditar que a alguns poucos quilômetros daquele pueblito haja algo tão singular.

A formação de mármore de centenas de milhares de anos foi sendo lapidada com o vento e hoje é possível entrar de voadeira em várias delas. O passeio é bem curto – não mais de uma hora já tá tudo visto. Mas o que a natureza fez aqui é coisa para fazer pensar. Está na esfera do improvável, do surreal. Inesperadas falésias surgem ao redor e tornam as capelas de mármore ainda mais dramáticas.

Capillas de Marmol, na Patagônia Chilena

O ápice para o guia é a ilhota batizada como Catedral de Mármore, que eu achei menos impressionante do que algumas delicadas capelinhas. A cor esmeralda da água só torna o cenário ainda mais merecedor da sua visita. É longe, é frio, chove. Mas vá.

Preços: Operadores como o Loberías del Sur oferecem o tour por valores a partir de 80.000 pesos ou R$429 (câmbio do dia da publicação). Saiba mais aqui.

Parque Nacional Queulat

Depois das Capelas de Mármore confesso que esse foi o lugar mais especial dessa viagem. Já cansei de fazer trilha em parques nacionais (só faço agradecer!) por muitos lugares. Mas nunca tinha visto uma geleira pendurada num precipício despejando uma imensa cachoeira lá de cima. Uma não, três!

Queulat, na patagônia Chilena

Além disso, o parque de 1.590 km2 abriga um bosque com biodiversidade espantosa para tão altas latitudes. Eu não fazia ideia de que havia tanta vida num lugar tão frio. Nem tanta umidade – chove mais de 3.000 milímetros por ano aqui. O resultado é um sem fim de pinheiros e outras coníferas, além de milhares de pequenas samambaias.

Não bastasse ter dois campos de gelo e sete glaciares, suas montanhas terminam no mar. O cenário portentoso fica ainda mais rico com os oito rios que recortam o parque. No Fiorde Queulat são frequentes os avistamentos de baleias entre julho e novembro, além de inúmeras espécies de aves marinhas.

Como não há nenhuma infraestrutura de comida dentro do parque, a vantagem de contratar um tour é que o próprio guia prepara uma saborosa refeição.

Homem olha para largo rio no Parque Nacional de Queulat

Parque Nacional Queulat

A trilha para o Glaciar Colgante de Queulat é a mais fácil e frequentada. É só olhar as fotos acima para entender o porquê, né?

Preços: Operadores como o Loberías del Sur oferecem o tour por valores a partir de 70.000 pesos ou R$ 375. Saiba mais aqui.

Laguna San Rafael

Uau, que baita lugar esse. Mas que baita esforço para chegar. No total, 12 horas de barco em um dia super longo. Mas é um dos passeios mais concorridos de Aysén. O Glaciar San Valentin, nos fundos da Laguna San Rafael, tem muito da beleza cênica dos mais famosos da região patagônica – como o Perito Moreno, o Upsala e o Viedma, todos na Argentina. E é o que se pode acessar com menor esforço, em termos de caminhadas e horas de carro pela Carretera Austral.

Laguna San Rafael, na região de Aysén

O catamarã Chaitén percorre um total de 125 milhas náuticas (231 km) pela Laguna San Rafael, que na verdade é um braço de mar. Por entre ilhas e penínsulas verdes, animais como golfinhos e, eventualmente, baleias, desfilam para as lentes dos turistas. Bandos de aves marítimas dão rasantes perto do barco.

Olha a cor dessa geleira que absurdo de lindo!

O objetivo é alcançar o Glaciar San Valentin, um dos mais incríveis da Patagônia. Imensos blocos de gelo com cores que vão do branco ao azul vibrante. Com alguma sorte você verá algum grande bloco se desprendendo da geleira e provocando um barulhão. Se as condições permitirem, é possível se aproximar de bote e ficar bem pertinho do glaciar. Mas de qualquer jeito você terá a experiência de tomar um uísque com uma pedra de gelo de mais de 10.000 anos! Já é algo para contar, não?

Preços: Poucas operadoras fazem este passeio, que custa caro – a partir de 140.000 pesos ou R$ 751 –  mas inclui um ótimo serviço de bordo, com café da manhã, almoço e lanche da tarde, além de open bar de drinques. Saiba mais aqui.

Parque Aiken del Sur

Pequenina, com apenas 2,5 km2, esta compacta reserva particular é uma gracinha. Caso esteja cansado dos grandes deslocamentos dos passeios principais ou não tenha comido um bom cordeiro patagônico, essa é a melhor solução. De quebra, você vai poder caminhar por algumas das mais belas trilhas da região. E o melhor, a apenas 15 minutos de carro de Puerto Chacabuco.

Parque Aiken del Sur

Acompanhado por guias super especializados e profundos conhecedores da fauna e flora da região, você poderá escolher entre 4 circuitos de caminhada. O trekking é o forte do lugar e caminhando apenas 30 minutos é possível chegar até fartas cachoeiras, como a Barba del Viajo.

Um centro de visitantes super bem elaborado explica não apenas a formação geológica, mas a ocupação dos povos pré-colombianos, como os tehuelches. Na hora da fome, um almoção incrível com um show folclórico à beira do Lago Riesco. Com muito cordeiro assado ali, há várias horas.

Caso queira relaxar mais um dia, considere uma ida até as piscinas térmicas de Puerto Perez.

Vai viajar?
É preciso planejar!

Planeje sua viagem utilizando os serviços dos parceiros abaixo. Você não paga nada a mais por isso, e ajuda o SV a continuar produzindo conteúdo de qualidade e gratuito. =)

Curadoria de viagem

Receba uma vez por mês em seu e-mail nossas dicas cuidadosamente selecionadas e as novidades do mundo das viagens.

Deixe seu comentário

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

EnglishPortuguese