De “Black Lives Matter” até Matisse: Conheça Baltimore


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Em 2013 o jovem negro Treyvor Martin foi assassinado por um policial branco na cidade de Baltimore. Tudo foi gravado e altamente compartilhado, e ainda assim o policial foi absolvido pela justiça. Esse foi o gatilho para criar o movimento #BlackLivesMatter, que defende que as vidas negras são importantes (já que mais da metade dos assassinatos nos EUA são de negros, e pouco se fala dessas mortes já que elas acontecem em bairros mais pobres e afastados da cidade).

O movimento ganhou força também em Baltimore, quando em 2015 outro jovem negro entrou em coma depois de ser violentamente agredido por policiais em uma inspeção de rotina- e sem ter cometido nenhum crime. Foi aí que os famosos protestos (as vezes violentos) tiveram seu ápice na cidade.

Desde então, o movimento se espalhou pelos EUA como um todo, e Baltimore não mudou mundo no quesito violência. Graças aos bairros que ficam na parte oeste da cidade (majoritariamente negros e com as faixas de renda mais baixas) a cidade está entre as mais violentas do país.

E daí você me pergunta: “Por quê então você está escrevendo sobre isso em um blog de viagens?”

E a minha resposta é: Porque apesar dessa história compor as características da cidade, Baltimore vai muito além disso– ela abriga uma das melhores faculdades de medicina do mundo (Johns Hopkins University); tem cada vez mais novos e descolados bares e restaurantes focados em comidas produzidas no estado de Maryland (como Ostras e vinho); ela foi o berço da composição do hino nacional americano (no Fort McHenry); foi um dos maiores portos comerciais do país onde hoje está um enorme aquário e vários restaurantes; e tem um museu com a maior coleção de quadros do Matisse do mundo!

Então ainda que seja importante conhecer a história da violência e da luta em Baltimore, é também importante ver o potencial da cidade, e todas as coisas incríveis que ela tem pra oferecer! E foi isso que fizemos no último final de semana: exploramos o que há de melhor na cidade e agora compartilhamos com vocês!

1- Segurança

Depois dessa introdução sobre a violência, é necessário que eu seja sincera quanto a questão da segurança. A parte oeste de Baltimore (‘a extrema esquerda no mapa abaixo) não é segura, e por isso alertamos que é melhor não se aventurar por lá. Mas fora isso, na região de Mount Vernon, Downtown e Inner Harbor (onde estão a maioria dos hotéis), a cidade é como qualquer outra: segura para se locomover, mas exige um mínimo de atenção tarde da noite.

A regiao em destaque e’ a considerada mais segura para os turistas.

Nós nos movimentamos bastante a pé e de ônibus durante o dia, e durante a noite pegamos Ubers para os bares e restaurantes, já que a caminhada seria de uns 20min, e já estava mais escuro. Não tivemos nenhum tipo de problema.

2- Em que região se hospedar

Conforme falamos no tópico acima, é melhor focar nas regiões de Mount Vernon, Dowtown e Inner Harbor. Nós escolhemos Mount Vernon por ser mais central (perto do Harbor, mas também de fácil acesso a outros lugares) e adoramos.

Em Mount Vernon decidimos ficar no Indigo Hotel Baltimore Downtown, que é um hotel boutique relativamente novo e tem um conceito mais moderno de design e luxo misturados.

 A localização é impecável: dá pra andar para os monumentos turísticos (incluindo a belíssima biblioteca Peabody), está perto de bons restaurantes, fica a poucos minutos de uber/taxi do Inner Harbor, e perto de vários pontos do Charm City Circulator, ônibus gratuito que usamos para ir para lugares mais afastados do centro, como o Museu de Arte de Baltimore (veja mais no tópico abaixo “Como se locomover”).

A suíte era super espaçosa e com uma decoração bem colorida. O lobby todo moderninho é onde fica o Poets Cocktails and Eats, bar animado durante a noite, e famoso pelo brunch aos finais de semana. Nós adoramos o hotel e recomendamos super! O único ponto negativo que achamos é que o hotel não tem estacionamento, mas eles recomendam um estacionamento que fica em frente ao hotel e cobra $10 por dia. Para nós não fez diferença pois fomos de trem, mas é importante saber dessa informação caso você decida ir de carro.

(Veja preços e reserve seu hotel aqui!)

Brunch no Poets, no Indigo Hotel

3- Como se locomover

Baltimore não é uma cidade muito grande em área, então se locomover é fácil e rápido. De carro não se leva mais de 10/15 min para ir para os bairros mais afastados (saindo de Downtown/ Mount Vernon). Para o Inner Harbor é mais perto ainda e as corridas de Uber não saem por mais de $10.

Outra opção é o Charm City Circulator, que são ônibus completamente gratuitos, com linhas que cruzam a cidade e passam pelos principais pontos turísticos de Baltimore. Pelo app ou pelo site, você consegue acompanhar em tempo real quanto falta para o ônibus chegar no ponto. É muito utilizado pelos turistas, mas vale ressaltar que, por ser um serviço inteiramente grátis, toda a população tem acesso, incluindo alguns “homeless”, por exemplo. Ainda assim, o serviço nos pareceu super seguro e confiável.

O onibus “Charm City Circulator (via: Visit Baltimore)

Andar a pé também é uma opção durante o dia e para curtas distancias. Nós andamos bastante em downtown e Inner Harbor, e quando fomos para a região mais ao norte, onde esta a Universidade Johns Hopkins e o Museu de Arte de Baltimore, também andamos a pé por lá. Mais a noite, é recomendado ter mais cuidado ou pegar taxis/ubers.

4- Como chegar

Baltimore fica a 290km de NY e a 70km de Washington DC. Dos dois destinos é possível ir tanto de trem como de carro.

Saindo de NYC a opção é o trem da Amtrak, que leva 2h50min e custa entre $80-150 por pessoa cada perna, ou a versão express de 2h15min que custa na faixa dos $160 cada perna. Se for de carro, a viagem pode levar entre 3-4h.

Saindo de DC há duas opções de trem: Amtrak e MARC. De Amtrak há o trem Acela Express que leva 30min e custa cerca de $60 cada perna, ou o trem comum de 45min por $35. O MARC é um trem mais simples que as pessoas usam para o dia a dia (commuter train) e, por isso, não tão refinado como o Amtrak. Ele pode ser comprado na propria estacao e ha opcoes saindo regularmente (veja a tabela de horarios aqui). Em compensação, a viagem de MARC custa apenas $8 e leva de 50min a 1h. Para testar, nós fomos de MARC e voltamos de Amtrak e achamos os dois serviços ótimos, então depende da sua preferência mesmo.

Se for de carro, saindo de DC a viagem leva entra 40min a 1h, dependendo do transito.

5- Quanto tempo ficar

Saindo de DC, dá pra fazer bate-volta e só passar o dia, já que as distancias são menores. Já de NY, a gente acha que fica mais corrido fazer o bate-volta pois cada pernada leva mais de 2h.

De qualquer forma, achamos válido ficar pelo menos uma noite por lá, assim dá pra aproveitar a noite e sair para jantar ou tomar um drinque em um dos vários lugares super descolados espalhados pela cidade!


Agora que você conhece um pouco mais sobre Baltimore, e já está mais informado para planejar sua viagem, fique de olho que no próximo post vamos falar sobre as melhores atrações da cidade, e os roteiros que sugerimos (para bate-volta e final de semana)!

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