Turismo cultural: onde encontrar o melhor de Banksy na Europa


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Banksy é um dos desconhecidos mais famosos do mundo. Ele (ou seria ela?) é um pichador misterioso, de identidade secreta e obras reconhecidas. Uma nova arte de Banksy aparece quando menos se espera e, automaticamente, leva os olhos do mundo para aquele local.

Dois dos frequentes ratinhos de Banksy em Paris – Reprodução/Banksy

Se por um lado Banksy pode despertar a ira de autoridades e de alguns donos de muros escolhidos como tela, por outro ele é capaz de incrementar o turismo de um lugar, à medida que atrai o interesse dos fãs de arte de rua e provoca novos questionamentos.

Quem é Banksy?

Em poucas palavras podemos dizer que é um artista de rua cujas obras, extremamente politizadas, tornaram-se tão reconhecidas que pararam de figurar exclusivamente em muros e passaram a ocupar o interior de museus. Seu verdadeiro nome e sua cara, porém, nunca foram revelados.

Acredita-se que o artista nasceu em Bristol

As primeiras obras do artista começaram a aparecer em Bristol, no sudoeste da Inglaterra, nos anos 1980. Por isso, acredita-se que se trata de um artista inglês de cerca de 40 anos. Ele seria filho de um técnico de fotocopiadora e teria trabalhado como açougueiro antes de se dedicar ao graffitti, mas não é possível confirmar essas informações.

Apesar da verdade ser desconhecida, não faltam especulações sobre quem é a pessoa por trás dos desenhos. A hipótese mais famosa e, até agora, considerada a mais plausível, foi revelada pelo repórter escocês Craig Williams, que cruzou datas e locais de shows da banda Massive Attack com datas e locais em que novos trabalhos atribuídos a Banksy apareciam. Para o jornalista, esses dados apontam para Robert Del Naja.

Corroborando tal teoria, o DJ Goldie já deu entrevistas na qual falou sobre o pichador e usou o nome de Naja para se referir a ele. Há também o fato de que Goldie e Naja faziam grafites juntos nos anos 1980. Entretanto, tanto Banksy quanto Robert Del Naja negaram a informação.

Outra possibilidade com muitos adeptos é a de que Banksy é na verdade um coletivo de pessoas. Essa hipótese se sustenta no argumento de que suas obras são muito complexas (mesmo sendo realizadas com estêncil) e estão muito espalhadas para terem sido realizadas por uma só pessoa.

Banksy e a Europa, a Europa e Banksy

A história de Banksy se mistura com a própria história da Inglaterra. Os primeiros trabalhos do pichador começaram a aparecer no fim da década de 1980, época em que a Europa vivia a ascensão do aerossol. Nesse período o terreno para artistas de rua era muito fértil.

Nesse mesmo período, o francês Blek Le Rat ganhava espaço trabalhando com estêncis em Paris. Especialistas apontam o francês como uma inspiração para Banksy, uma vez que os estilos de ambos são muito parecidos.

Como o conteúdo de sua obra sempre carrega forte teor político, ele segue se associando a grande eventos históricos. Um dos mais recentes trabalhos de Banksy a aparecer em Dover, por exemplo, mostra um homem quebrando com um martelo uma das estrelas da bandeira da União Europeia, em referência ao Brexit.

Mural em Dover faz crítica ao Brexit – Reprodução/Instagram/Banksy

A história antes do reconhecimento

Como todo pichador, Banksy nem sempre agradou. Grande parte de seus desenhos foi apagada – às vezes até mais de uma vez, quando ele foi insistente e o refez.

Além do formato incômodo, seu trabalho também demorou a ser reconhecido por, como já mencionado, carregar um forte teor político, com duras críticas ao capitalismo e ao preconceito e à destruição do meio ambiente.

A partir do fim dos anos 1990, sua obra começou a ser vista com outros olhos à medida que seu estilo se consolidou. As imagens pintadas por ele atualmente raramente são apagadas e, muitas vezes, são até mesmo preservadas com vidros para que não estraguem.

Em 2010, a obra de Banksy atingiu um novo patamar com a estreia do documentário sobre ele “Exit Through The Gift Shop”. Seus trabalhos hoje não se limitam às ruas e podem ser vistos também em museus.

Uma série de exposições temáticas do ator acontecem no mundo todo, mas nem todas têm seu consentimento. Em seu site, Banksy denuncia e desencoraja a visita a exposições organizadas sem sua participação.

O senso crítico e a vibe transgressora de Banksy, no entanto, não se perdeu com o reconhecimento. Prova disso é a “pegadinha” que ele pregou em um leilão na famosa casa Sotheby’s em Londres, quando um quadro com um de seus desenhos se auto-destruiu logo depois de ser vendido por um milhão. Alguns dizem, porém, que o suposto protesto serviu apenas para valorizar ainda mais a obra.

A arte de Banksy carrega uma dura crítica ao capitalismo. 15 de junho de 2015, em Londres.

Mas afinal, onde encontrar as obras e murais de Banksy?

Certo, agora que vocês já sabem tudo sobre o artista, devem estar se perguntando como afinal fazer para ver seus murais. As obras dele estão espalhadas ao redor do mundo, mas a maior parte se concentra na Europa.

A melhor pedida para quem quer ver um grande volume de obras do artista é ir para a Inglaterra. Londres e Bristol são as cidades com maior quantidade de grafites do misterioso pichador. Em Bristol, sua suposta cidade natal, está o famoso “The Mild Mild West”, que mostra um ursinho jogando um coquetel molotov contra policiais, e “Man Hanging From Window”, por exemplo. Na cidade, recomendamos que você faça algum dos três tours sobre o artista ou siga as dicas do órgão de turismo oficial. Também há algumas obras do artista no Bristol Museum & Art Gallery.

Em Londres, “Sweep it Under the Carpet” e “There’s Always Hope” (aquele da menininha tentando segurar o balão em forma de coração) são alguns dos principais desenhos, além dos clássicos ratinhos, encontrados em diferentes situações na cidade.

Paris é outro lugar com uma grande concentração de artes de Banksy, incluindo as famosa pintura de uma garota pintando um papel de parede sobre uma suástica. Esse desenho, apesar de ainda estar lá, no 18º arrondisement, foi descaracterizado quando alguém pintou parcialmente por cima dele. O melhor site para encontrar as obras de Banksy por lá é este.

Pintura de Banksy em Paris já foi descaracterizada – Reprodução/Instagram/Banksy

Mas se o que você procura não é quantidade e sim qualidade, talvez seja uma boa considerar uma ida à Palestina. Lá estão alguns dos desenhos mais icônicos, como “Rage, Flower Thrower” e “Stop and Search (Girl and a Soldier)”.

Desenhos do artista também podem ser vistos aos montes em Madri, Lisboa, em diversas cidades dos Estados Unidos, na Palestina, entre muitos outros. Este ou este site podem te ajudar a encontrar as obras na Inglaterra, mas nossa dica é pesquisar “where to find Banksy in ___” e completar com a cidade para onde você vai. Como a arte de rua está sempre sujeita a interferências, é bom conferir direitinho logo antes de se deslocar, para não correr o risco de chegar e dar de cara com um muro branco.

Museus pela Europa para encontrar Banksy

Para quem quer um pouco mais de conforto para admirar um original de Banksy, há a possibilidade de fazê-lo em um museu. O Bristol Museum & Art Gallery é o principal deles, como já mencionado.

Além disso, há Banksys também no Moco Museum, em Amsterdam, No Port Talbot Street Art Museum, no país de Gales, e no Frieder Burda Museum, em Baden Baden, na Alemanha – aqui está aquele quadro que foi rasgado após o leilão.

Banksy subverte os padrões de arte mesmo dentro de museus – Reprodução/Banksy

Hotel do Banksy? Sim, existe! 

Se você quer imergir ainda mais na experiência “bansksyana”, você pode optar por se hospedar em seu hotel, na Palestina. Apelidado pelo próprio artista de “o hotel com a pior vista do mundo”, o The Walled Off (nome que faz um trocadilho com o The Waldorf, luxuoso hotel de Manhattan, Nova York) fica bem em frente ao muro que divide Israel da Palestina, na cidade de Belém.

Todos os quartos têm vista para o muro e são decorados com grafites do artista. A decoração do hotel contou com a participação também dos artistas Sami Musa e Dominique Petrin.

The Walled Off foi inaugurado em 2017, ano do centenário da ocupação de tropas britânicas na Cisjordânia, o que pode ter intensificado os conflitos na região. Apesar da forte mensagem, o hotel está aberto para receber pessoas de qualquer lugar do mundo, inclusive israelenses e palestinos.

Produtos

De forma um pouco contraditória com o que o próprio artista prega em suas obras, quem visita a Inglaterra pode ver Banksy não só em muros ou museus, mas também em uma infinidade de souvenirs. O trabalho do artista pop está em camisetas, bolsas e ímãs de geladeira, em um movimento que lembra um pouco a difusão da imagem de Frida Kahlo.

Se você, assim como eu, não se importar de cair em contradição e quiser levar um presentinho do artista para casa, os melhores lugares em Londres para isso são a feirinha de Portobello Road, em Notting Hill, e as regiões descoladas de Camden Town e Shoreditch.

A feirinha de Portobello Road é um ótimo lugar para comprar lembrancinhas com artes de Banksy

Em Bristol você pode encontrar coisas estampadas com obras do artista por toda a cidade, mas especialmente nos arredores do M Shed. Na Palestina, ao lado de seu hotel, há a lojinha Wall*Mart, que vende produtos de Banksy.

Os mais entusiasmados já podem planejar toda uma viagem pela Europa e pelo mundo, para seguir o artista. Para quem ainda não chegou nesse nível, tentar encaixar algumas paradas estratégicas para conhecer alguns de seus murais é uma ótima ideia. Uma coisa é certa: para quem gosta de arte de rua, ver um Banksy original de pertinho é emocionante.

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