5 lições que eu aprendi em dois dias no meio da selva em Bornéu


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Quem nunca assistiu algum documentário da National Geographic ou algo parecido, e não ficou morrendo de vontade de desbravar rios e florestas? Eu tive a incrível oportunidade de passar dois dias na floresta de Bornéu, na Indonésia, dormindo em um Klotok (pequeno barco de madeira), observando orangotangos e cruzando o rio Sekonyer e isso foi uma das experiências mais memoráveis que já tive na vida.

Bornéu me deixou mais humana, mais humilde e mais agradecida. E também me deixou com vontade de voltar mais vezes para a floresta e reencontrar uma paz que eu nem sabia que existia, seja dentro de mim ou nesse mundo caótico aqui de fora. Dessa ida, aprendi 5 lições principais que compartilho agora com vocês:

1- Esquecemos de seguir o ritmo da natureza 

Quando você fica na selva, nem que seja apenas por apenas dois dias, é incrível como o seu corpo se adapta fácil ao ritmo da natureza e tudo parece fazer sentido de novo. Percebi como temos hábitos que são totalmente contra-intuitivos e não deveriam fazer parte do nosso dia-a-dia e nem ajudam nosso ciclo circadiano.

A luz artificial foi uma das coisas que me chamou atenção por ser algo tão normal pra gente que nem nos damos conta das consequências ao utilizá-la e de como ela afeta nossa relação com o sono.

Foi maravilhoso acordar e dormir com a luz do sol.

Barco de madeira cruzando o rio Sekonyer em Bornéu, na Indonésia.

Pode-se dizer que o barco que eu chamei de casa por 2 dias tinha janelas bem grandes.

Essa foi uma das poucas vezes (acho que única até) que acordei as 4:45h sem dificuldade nenhuma e ainda por cima bem humorada. Também foi uma das poucas vezes, depois de adulta, que me bateu muito sono as 20h. Foi esse sono da noite foi o que me deixou mais impressionada.

É fácil dormir de janela aberta e acordar com a luz do sol nascendo, mas duvido alguém que viva na cidade conseguir ficar totalmente no escuro depois que o sol se põe as seis da tarde. Automaticamente nós acendemos as luzes da casa quando começa a ficar escuro, e continuamos a seguir com a vida normalmente, embaixo do nosso sol artificial (sem contar aquela olhadinha no celular antes de dormir que joga uma luz absurda direto nos nossos olhos).

Mas não em Bornéu. Depois que o sol foi embora, em torno das seis da tarde, tudo foi ficando gradativamente mais escuro até virar um breu total, com apenas poucas luzes de velas para iluminar o nosso jantar.  Resultado: depois de um dia inteiro de caminhada e um jantar super gostoso na beira do rio, eu estava prontinha para ir pra cama (ou melhor, pro barco) e não eram nem nove horas da noite.

Alguém me ensina a tirar foto nesse escuro e com luz de velas?

Alguém me ensina a tirar foto nesse escuro e com luz de velas?

Queria ter levado isso pra vida, mas morando em São Paulo e me considerando uma pessoa noturna, esse ritmo não durou nem uma semana.

2- Somos capazes de muito mais do que imaginamos

Nós mesmos nos subjugamos muito. Não precisamos de ninguém para fazer isso… tanto nas decisões de viagens quanto na vida, a situação se repete. Achamos que não aguentaremos ficar dois dias em um Klotok, que não somos capazes de pegar 30 horas de avião para ir até o outro lado do mundo, ou que se preparar para uma trilha é para “aventureiros”. Em tantas situações nos colocamos como incapazes ou já assumimos que tal coisa é para os outros mas nunca pra gente, sendo que o que mais nos paralisa e o nosso único bloqueio real é a nossa mente.

Se tem algo que eu aprendi depois dessa viagem como um todo é: “tudo parece muito mais difícil do que realmente é e somos muito mais capazes do que acreditamos”. Ir viajar sozinha parece perigoso até que tomamos a decisão e vemos como temos cuidado e senso crítico para nos virarmos sozinha. Ficar na selva parece difícil até que a gente vê como é gratificante e recompensador. E por aí vai…

Tanjung Puting

A conclusão é que, em viagens, e em tudo na vida, o mais difícil é tomar a decisão. Decidir ir, decidir fazer, decidir encarar. Mas, depois de vencida essa etapa, tudo fica muito mais fácil. Não dá pra deixar o medo controlar a nossa vida e nos privar de grandes momentos. Acreditam que por um momento eu pensei em não fazer essa viagem para a Indonésia? E foi uma das viagens mais engrandecedoras que já fiz na vida.

3- A bateria do celular dura e as conversas também

“O que o barco uniu, ninguém separa”. Sim, a frase é piegas e verdadeira, mas na realidade o responsável por essa união não foi o barco. Explico.

Bornéu foi o primeiro destino que fomos. Nós, 30 blogueiros do mundo todo, fomos separados em 6 barcos com, em média, 8 pessoas em cada um (contando os organizadores e guias). Evidentemente, quem compartilhou os mesmos perrengues, dividiu comida e dormiu sob o mesmo “teto” criou laços mais fortes durante o restante da viagem.

Mas, não apenas pelo simples fato de ter ficado no mesmo barco. Foi por ficar no mesmo barco e estado lá de verdade, inteiro! Ficar lá sem mexer no celular e sem internet. Sem nada para fazer além de navegar, observar a paisagem e os animais, tirar fotos e conversar. E haja conversa! Em dois dias era como se já nos conhecêssemos há anos.

Almoço no barco no meio da selva de Bornéu, na Indonésia.

As pessoas são muito mais interessantes quando as olhamos de pertinho.

Ah, e mesmo usando para tirar e ver fotos e ouvir música offline, a bateria do celular não acabou em dois dias (e olha que tenho um iphone).

4- A selva é barulhenta 

Como muito bem pontuou minha vizinha de colchão no barco, logo que acordou: “Quem coloca aplicativos com sons de selva para dormir, nunca dormiu uma noite na floresta de fato”. Sim, Amelia, você estava certa. A natureza a noite é muito mais barulhenta do que eu imaginava.

Cama dentro do barco na floresta da Indonésia.

Sai a mesa e o tapete e entram as camas com dossel de princesa. Brincadeiras a parte, garanto que foi mais confortável do que muito hotel por ai…

Era uma mistura de sons de macacos, pássaros, grilos e galos (a noite inteira e não só pela manhã), até barulho de árvore caindo eu ouvi. Mesmo assim, incrivelmente, foi uma das noites que eu dormi melhor na minha vida. Dormi super bem, igual uma pedra. E quando acordei pra pegar um casaco no meio da madrugada e vi o reflexo da lua e das estrelas no rio e uma parede de mata na minha frente, agradeci mais uma vez por estar onde eu estava.

5- Vale pra bicho, então vale pra humano

Regra número 1 da selva: “eu te respeito e você me respeita”. Cada um fica no seu canto, então todo mundo fica bem. Você fica na sua e eu fico na minha e a gente convive em harmonia. Simples e fácil, não é? Deu certo com orangotangos, dá certo na relação do homem com muitos animais… parece que só não dá certo quando é Ser Humano com Ser Humano.

Interação do homem que fotografa o orangotango em Tanjung Putting, Bornéu.

Interação homem-orangotango.

Quer saber mais da minha experiência desbravando Bornéu e outras ilhas do outro lado do mundo?
Veja esse post com tudo sobre a viagem pela Indonésia

*Agradecimento especial ao Ministério do Turismo da Indonésia que nos convidou para conhecer o país e suas maravilhas.

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