Perdi meu documento no exterior, o que fazer?


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Ah, como eu queria que esta pergunta fosse apenas mais uma entre as tantas que já respondi desde que comecei a viver como jornalista de turismo. Mas não, essa pergunta eu vivi na prática. E encontrei as respostas chafurdando no mais profundo limbo da chatice burocrática consular. Ou seja, perder documento no exterior definitivamente não é algo que você queira que aconteça com você, pode apostar.

Um belo dia, durante uma viagem de trabalho para a Argentina em 2013 meu RG simplesmente desapareceu. Pois é, não é o jeito mais bacana de começar o dia… Revirei o quarto do hotel em Buenos Aires, que não era lá o ambiente mais organizado do mundo. Roupas, bolsos da frente, de trás, mochila, bolsinhas, carteira, doleira, chequei tudo. E nada.

Perdi mesmo meu RG ou passaporte, o que devo fazer?

Mais de uma hora no encalço do maldito documento e precisei aceitar a perda. É melhor pensar que perdeu do que “alguém tentou pegar sem eu ver”. Tive que pensar nos passos seguintes. Afinal, iria embora de avião na manhã seguinte e sempre tive pra mim que embaixadas e consulados eram a filial do inferno no país dos outros. Se você achou que eu fosse fazer alguma piada com argentino, achou errado. Sempre fui muito bem tratado pelos Hermanos, fora um taxista ladrão ou outro – muitas vezes simpaticíssimos.

Se fosse no Brasil, ao perder ou ter seu RG furtado bastaria acessar o site da Polícia Civil local ou ir a uma delegacia no Estado onde estivesse para registrar boletim de ocorrência. Com o documento em mãos você poderá viajar por todo o território nacional. Ótimo, mas eu estava na Argentina e no Mercosul as regras são um tanto diferentes.

Para sair de lá não bastaria um B.O. da polícia portenha porque ele não teria validade na imigração quando chegasse ao Brasil. Seria preciso uma Autorização de Retorno ao Brasil. E quem emite isso? Sim, o Consulado Brasileiro em Buenos Aires.

Como é o processo para conseguir a Autorização de Retorno ao Brasil?

Chato, essencialmente, chato. Tudo bem que tudo apontava que a culpa por ter perdido o documento de identidade era apenas minha então eu não tinha nem um trombadinha portenho pra culpar. Tudo no meu nome e sobrenome. Lá no Consulado eu tive que pegar uma fila para começar a ser atendido e entender o tamanho da encrenca.

Seria necessário não só comprovar que eu era eu, mas que era brasileiro. Não me lembro se telefonaram para alguém da minha família no Brasil ou se consultaram um lento banco de dados. Mas depois de um tempo confirmaram que eu era MESMO euzinho e que teria direito à tal autorização.

Mas claro, antes algumas burocraciazinhas… Duas fotos 3×4 e mais uma taxa. Saí nos arredores da sede do consulado (na Rua Carlos Pellegrini, 1363) e fui extorquido por um cara dessas máquinas que batem foto na hora. Fiz uma careta memorável para nunca mais esquecer dessa besteira que foi perder meu documento fora do Brasil. Agora eu tinha o mesmo documento concedido a pessoas extraditadas ou repatriadas.

Voltei ao quinto andar do consulado, esperei mais um tanto e saí de lá com esse papel que você vê na foto abaixo. Com ele em mãos minha partida pra casa estava garantida, mesmo que eu tivesse perdido uma manhã turistando/trabalhando na capital argentina.

Dali peguei um táxi e fui conhecer o cafona Caminito, o Mercado de La Boca e o estádio La Bombonera. Pra falar a verdade foi uma tarde bem gostosa que me fez esquecer a lambança da manhã. Cheguei no hotel, tomei banho e arrumei a mala. Enquanto dobrava uma camisa, adivinhe só quem pulou do bolso dela? Pois é: meu RG e a certeza de que a bagunça só atrasa a vida. Ganhei um documento de souvenir.

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